sexta-feira, março 16, 2012



Esculhambatocracia


Custo a acreditar no que leio. O Flamengo, a maior torcida do Brasil, um clube nascido na rua, do povo, uma instituição do futebol mundial, parece mesmo disposto a contratar Adriano, aquele que já foi Imperador.

Será que o futebol brasileiro será sempre o império da esculhambatocracia (nem sei se a palavra existe)? Que razão lógica, palpável, justificável, levaria uma equipe a investir fortunas, já que fala-se em salário de meio milhão de reais, em um jogador que mal joga há pelo menos dois anos?

Adriano foi um tiro de marketing que saiu pela culatra no Corinthians. Fez dois gols, criou dez vezes mais encrencas e teve neguinho com a cara de pau de chamá-lo de fundamental na conquista do título brasileiro por causa de um golzinho.

Aí o Flamengo, que tem um rosário de problemas para administrar, uma dívida transatlântica, mal consegue pagar o Ronaldinho Gaúcho, fala em investir no Adriano.

E não é só o Flamengo, é um pensamento generalizado. A ideia do jogador malandro, do bad boy, que não precisa treinar, ser disciplinado, mas entra em campo e resolve está enraizada no imaginário do torcedor, na incompetência do dirigente e, por incrível que pareça, no pensamento até de muitos jogadores e ex-jogadores.

Adriano, em forma, é um tremendo jogador de futebol. Titular da seleção brasileira. Talvez tenha problemas sérios de saúde. Não sei, não posso ser leviano para afirmar isso. Mas quem vê, ouve, lê uma entrevista de Adriano tem a impressão de estar diante de um Imperador hitita no auge da campanha expansionista. Ele fala e se comporta como se fosse um jogador top de linha, o que atualmente não é - faz tempo, aliás.

Paira sobre certo tipo de jogador de futebol no Brasil a impressão de que eles estão acima do bem e do mal. Não há lei, regras e outros jogadores. Seduzidos pelo cordão de puxa-sacos, pelos amigos chupins que só querem beber e gastar o dinheiro do craque, eles acham que são seres privilegiados.

Passam rodadas e rodadas sem jogar, sem treinar e quando fazem um golzinho se dizem iluminados por Deus. Quanta pretensão!

Torço, sinceramente, para que Adriano volte a ser o grande jogador que pode ser. No Flamengo, em qualquer clube.

Só não consigo entender qual o motivo que leva alguém a investir fortuna num atleta que só levanta incertezas. Seria pretensão eleitoral?

Adriano aposta alto na vida. Seu discurso só será justificado se ele jogar muito, fizer gols decisivos e conquistar títulos. Para tal, ele precisaria, de início, jogar. Ter regularidade e compromisso.

O grande erro do marketing corintiano talvez tenha sido pensar que Adriano pudesse repetir o sucesso da operação feita por Ronaldo. Embora seja um grande atacante, Adriano não lustra o bico da chuteira de Ronaldo. Tampouco desfila um terço do carisma do Fenômeno. Também não parece ser feito de T-Fal, como Ronaldão, em quem nada de negativo gruda. Pelo contrário. Adriano parece cola quando o assunto é problema.

Boa sorte a ele e ao Flamengo, que vai precisar se embarcar nessa.

4 comentários:

Leandro Azevedo disse...

Até contrataria o Adriano mas com um contrato bem em conta. Algo como $50mil enquanto ele se condiciona, se fizer uma sequencia de jogos (algo como 5 jogos em um mes) aumentaria para $75-$100 e outros aumentos possiveis baseado em produtividade (gols etc). Só assim e se não quiser pode ficar fazendo churrasco na Vila Cruzeiro.

FRANCISCO disse...

Nori,

Contrato de risco, ganho por produtividade. Este é o caminho. Entrou em campo, leva; não entrou, vá pentear macaco!

Vamos a outro assunto, que Adriano é papo ultrapassado sobre jogador ultrapassado.
Outro dia você falou em ex-jogador ou ex-treinador para comandar o futebol brasileiro; mais quais seriam tais indivíduos?
Ronaldo Nazário - Mais mercenário que Ricardo Teixeira, é capaz de vender a seleção, os atletas e até as mães dos atletas.
Romário - Tão irresponsável quanto o Adriano.
Zico - Foi excelente jogador, parece ser bom técnico; porém já provou que é medíocre como dirigente. Entre outras bobagens, contratou Deivid, Diogo, Val Baiano, Borja e Leandro Amaral. Tudo sob suspeita de que filhos do Zico teriam atuado como intermediários remunerados.
"Mulher de Cezar não basta ser honesta, tem que parecer honesta..."
Pelé - Só pensa nele, no bolso dele, no dinheiro que vai embolsar. Já leva uma boa grana do Santos e da CBF para fazer absolutamente nada.
Mano Menezes - Tem competência para ser, na melhor das hipóteses, assessor de imprensa.
Que tal Wanderlei Luxemburgo?

Quem sobraria, então? Raí, Falcão, Leonardo... Mais alguém?

Infelizmente, amigo, futebol não é volei. No volei, parece até que é lei: neguinho que foi bom jogador vira bom técnico (Willian, Moreno, Talmo, Giovani, Bernardinho, Bebeto de Freitas) e até quem não foi lá grande coisa nas quadras, pode dar bom dirigente (Marcus Vinícius, por exemplo).

FRANCISCO disse...

Nori,

Contrato de risco, ganho por produtividade. Este é o caminho. Entrou em campo, leva; não entrou, vá pentear macaco!

Vamos a outro assunto, que Adriano é papo ultrapassado sobre jogador ultrapassado.
Outro dia você falou em ex-jogador ou ex-treinador para comandar o futebol brasileiro; mais quais seriam tais indivíduos?
Ronaldo Nazário - Mais mercenário que Ricardo Teixeira, é capaz de vender a seleção, os atletas e até as mães dos atletas.
Romário - Tão irresponsável quanto o Adriano.
Zico - Foi excelente jogador, parece ser bom técnico; porém já provou que é medíocre como dirigente. Entre outras bobagens, contratou Deivid, Diogo, Val Baiano, Borja e Leandro Amaral. Tudo sob suspeita de que filhos do Zico teriam atuado como intermediários remunerados.
"Mulher de Cezar não basta ser honesta, tem que parecer honesta..."
Pelé - Só pensa nele, no bolso dele, no dinheiro que vai embolsar. Já leva uma boa grana do Santos e da CBF para fazer absolutamente nada.
Mano Menezes - Tem competência para ser, na melhor das hipóteses, assessor de imprensa.
Que tal Wanderlei Luxemburgo?

Quem sobraria, então? Raí, Falcão, Leonardo... Mais alguém?

Infelizmente, amigo, futebol não é volei. No volei, parece até que é lei: neguinho que foi bom jogador vira bom técnico (Willian, Moreno, Talmo, Giovani, Bernardinho, Bebeto de Freitas) e até quem não foi lá grande coisa nas quadras, pode dar bom dirigente (Marcus Vinícius, por exemplo).

Leo Damin disse...

O Adriano é uma ilustração do momento que vivemos no nosso futebol: os clubes raciocinam em termos políticos, não técnicos. Não são revelados jogadores, não são mantidas as poucas promessas. Preferem trazer medalhões, pois eles, apesar de não renderem o esperado, trazem confiança e visibilidade.