terça-feira, fevereiro 23, 2010

São Paulo perde a guerra

com as torcidas bandidas



O torcedor de bem está condenado no Estado de São Paulo. As facções de briguentos que se disfarçam de torcedores proliferam, matam, se escalpelam, e as autoridades batem cabeça.

Acredito nas boas intenções do promotor público Paulo Castilho. Mas, como já disse isso a ele pessoalmente, repito aqui: sua linha de ação é equivocada, incompleta. Castilho prefere morrer abraçado à tese que comprou, a da torcida única, a ver o que está à frente do seu nariz.

Não faz diferença torcida única, a guerra migrou da arquibancada para as ruas e estradas. E não brigam apenas torcedores cujos times vão se enfrentar. Já tivemos briga até de supostos torcedores de times que sequer jogaram no dia.

Castilho parece que não quer abrir mão do slogan, do promotor da torcida única, como fez há alguns anos o colega dele Fernando Capez, hoje deputado, que era o promotor que alegara ter fechado as torcidas uniformizadas. Elas apenas mudaram de nome e o slogan ficou.

A questão é de segurança pública. A cada briga arsenais são apreendidos e está tudo ali, identificado com o nome, as camisas das facções que destruíram as torcidas. E Castilho acha que ter apenas uma torcida no estádio resolverá tudo, como num passe de mágica.

Pergunto: e o cidadão comum que encosta num posto de estrada para ir ao banheiro, comprar um lanche para as crianças e dá o azar de, na saída, topar com o encontro dessas hordas? O que faz ele para proteger a família? Pensa na torcida única?

Certa vez uma equipe de TV voltava da transmissão de um jogo no interior paulista. Jogo entre time grande e time pequeno. Na estrada, a equipe resolve parar e comer algo. Uma torcida uniformizada de um outro time grande, que não era o que estava jogando na transmissão que a equipe trabalhara, começa a hostilizar um a um dos profissionais, ameaçando, provocando.

Torcida única resolveria?

Na Argentina tentaram e já houve mortes em jogos com torcida única do River e em outro do Boca. Se mataram entre eles.

Acorda, promotor Castilho! Sua intenção é boa, o problema é que o remédio que o senhor comprou não serve para essa doença.

10 comentários:

Gilmar Pinto disse...

Você diz que é questão de Segurança Pública mas está errado, a culpa é do Coritiba, que perca mais 30 mandos. Toda violência é culpa do Coritiba.

Belluzo ir na festa da Mancha e prestigiar os bandidos não é culpado de nada mas o Coritiba é.

Lembra do Belluzo gritando? MORTE AOS BAMBIS, MORTE AOS BAMBIS, MORTE AOS BAMBIS.

Gabriel Guerra disse...

Nori faltou apenas dizer que parte da culpa tb está na organização do futebol em SP. A polícia não aprovou Sp x Santos em Barueri por segurança e o jogo foi lá mesmo assim. E quando o presidente do palmeiras vai na festa da "organizada" e crava "vamos matar os bambis" e as jogadas violentas, provocações e agressões no campo? O futebol tornou-se violento quando o poder econômico tornou-se mais importante do que o espetáculo.

abraços
gabriel guerra
twitter.com/rochaguerra

rapha disse...

concordo contigo Nori, sem contar que isso de torcida unica acaba com um dos direitos basicos, que é o de ir e vir, ta tirando o meu direito de ir ao estadio ver o jogo do meu time mesmo sendo "visitante", o problema é segurança publica mesmo.
abraço

Joel Prado disse...

Noriega, também acredito q o fato de ter torcida única não resolveria o caso, até pq existem torcidas do próprio time que brigam entre elas, visto Mancha verde X TUP.
Essas facções torcem por elas pr´prias, não importando o que o time faz em campo.
Como morador do interior, tive a experiência de ver a torcida da Ponte na semi final do paulista de 2008, contra o Guaratinguetá, brigar entre si, com a polícia e ainda quebrar o estádio do Guará.
Não adianta impedir de entrar com a camisa da torcida em estádio, muito menos fazer torcida única, é preciso primeiro que os clubes parem de financiar essas facções, pois eles não agregam nada para o time, pelo contrário.
Medidas fortes precisam ser tomadas, para que possamos assistir o futebol de forma tranquila. Chega de impunidade!

Fernando disse...

Maurício, acompanho seu blog diariamente.
Concordo com você que a intenção do Castilho a princípio é boa, mas o problema não está mais no estádio, como você mesmo disse.

Na sua opinião, qual a melhor solução para que as brigas parem de acontecer ou diminuam?

Carlos A. disse...

ótimo texto Nori!
Acredito que a única alternativa é a proibição da existência das torcidas organizadas. Deveriam ser todas extintas.
Ai, alguns iriam dizer: "Os vândalos vão se juntar mesmo sem ter uma torcida organizada". Aí é que está o pulo do gato: sem organização, sem arrecadar o dinheirinho daquele bando de imbecil, sem vender camisa com o logo da torcida, o negócio morre, deixam de existir os lideres negativos, dirigentes nefastos desses grupos, que manipulam esses coitados (que são muito macho quando estão em grupinho, sozinhos....) do jeito que eles querem e, única e exclusivamente, em prol do negócio sujo que é a sua torcida organizada.
Agora, eu e outros torcedores comuns, cidadãos que trabalham e pagam seus impostos, não podemos ir ver nosso time no estádio por causa da violência dessa corja.
Isso é justo? Isso é uma sociedade justa? Por que essa organização nefasta tem que existir?
Não é possível que entidades que causaram, durante anos e anos, tantos prejuízos, tanta violência gratuita e tantas mortes tenham proteção política para continuarem existindo. Realmente, não dá pra entender!

Goretti disse...

Quanto a (in)segurança dos jogos em São Paulo..é uma questão que passa pelo"berço" e pela "carceragem"..parece que faltam ambos aos torcedores das organizadas.Mas quero registrar aqui meu descontentamento com o seu comentário a respeito do Palmeiras,dizendo que "o time tem um caso que demanda um psiquiatra"...posso lhe dizer agora que falta a você um oftalmologista...hehehehehe...

Nori disse...

Goretti, meu oftalmologista é ótimo, quer o telefone dele?
Se vc acha normal um time que teve quatro técnicos diferentes no período de um ano e que manda embora um técnico que insistiu durante meses para contratar e que era seu sonho de consumo (isso um dirigente do Palmeiras me disse). E se foi pra economizar, some a multa do Luxa, a do Muricy e o salário do AC pra ver se o louco sou eu mesmo.

Nori disse...

Gilmar, não misture as bolas. O que houve em Curitiba foi dentro de um estádio de futebol. Talvez se os torcedores comuns do Coritiba, como vc, processassem os bandidos, a coisa melhorasse.

Anônimo disse...

Vários paises sofreram com brigas de "facções futebolisticas", caso da Inglaterra, o poder público toma providência energicas, como até banir o responsável pela desordem, dos campos de futebol. Solução definitiva acredito que não exista, pois o mal da violência é social, existe brigas marcada pela internet até de adolescentes de classe mais abastadas.
Boa Nori, Abração!!
Mozart