terça-feira, setembro 16, 2008

O QUE ESPERAR DA RETA

FINAL DO BRASILEIRÃO?


Duvido que exista hoje, entre os campeonatos de futebol de bom nível do mundo, tanto equilíbrio como no Brasileirão 2008. Não se trata de avaliar a qualidade técnica, mas, sim, de verificar que as forças talvez jamais tenham sido tão equânimes (bonito isso!!!). Não há um time que se destaque, que tenha um grande craque, capaz de resolver situações difíceis, ou uma equipe que se destaque por conta do entrosamento e, até mesmo, de um esquema tático diferente.
Peguemos Grêmio, atual líder, e Portuguesa, atual lanterna. Será que existe alguma grande diferença entre essas equipes que justifique tamanha disparidade nas campanhas? Acho que não.
Pela média do que foi feito até agora, Grêmio e Palmeiras se destacam. Porque ainda sustentam campanhas muito boas dentro de casa e conseguem buscar pontos importantes fora de casa. Embora não seja significativa, essa diferença tem sido suficiente para posicioná-los como as equipes com melhor aproveitamento até agora.
Mas tricolores gaúchos e alviverdes não ostentam grandes diferenças em relação a seus perseguidores mais próximos, como Cruzeiro, Botafogo, São Paulo e Flamengo, por exemplo. Todos são times muito parecidos, em suas virtudes e defeitos. Um dado estatístico talvez explique o fato de muita gente acreditar em uma virada do Palmeiras nessa fase decisiva. O clube tem a segunda melhor campanha do returno, enquanto o Grêmio é o oitavo. Diriam os economistas que um aponta tendência de alta e o outro, de baixa.
Ainda assim, o Palmeiras perde para o bom time do Sport, e o Grêmio é derrotado pelo redivivo Goiás. Não tem mais bobo, é tudo japonês, o futebol está nivelado por baixo. Pode escolher o clichê que qualquer um deles se aplica ao caso.
Por isso o Brasileirão é mais divertido e empolgante que a maioria dos outros grandes campeonatos nacionais de futebol pelo planeta. Tem mais gente lutando pelo famoso prato de comida, como gostam de dizer os motivadores do ludopédio. Na Europa o bolo é fatiado em pedaços maiores, para pouca gente provar.

CARREIRAS

Tive a honra de apresentar uma edição do Arena SporTV que teve como convidado Max Gheringer, consultor de carreiras que fala com rara simplicidade e clareza sobre o tema. Max deu um show, mas confesso que fiquei assustado. Segundo ele, é impossível conciliar carreira com qualidade de vida no mundo de hoje. Somos obrigados a escolher: um ou outro. No máximo, conseguiremos uma bela carreira para gozar de alguma qualidade de vida no final do segundo tempo da vida. Sei não, amigo Max. Vendo tudo que aconteceu no chamado Deus Mercado nos últimos dias, acho que andamos mais preocupados em viver nessa desabalada carreira do que, propriamente, em viver. Aí, de uma hora para outra, boa parte do que o sujeito guardou e investiu perde 70% do valor. Fico pensando se não andamos especulando demais com o sentido da vida. Sei lá, filosofei.

RESPOSTA SOBRE O TÊNIS

Recebi uma simpática mensagem sobre tênis, uma dúvida de regra. Basicamente, a pergunta era sobre a famosa "ziquezira", aquela jogada em que a bola, colocada com muito efeito, bate de um lado da quadra e volta para o lado de quem colocou o efeito. Vale, como não, e tem que ser bom demais pra fazer isso. A pegadinha está no seguinte: se o adversário coloca tamanho efeito na bola que ela bate do seu lado da quadra e volta para o dele, você pode escapar dessa fazendo o seguinte: se der tempo, você pode invadir, com a raquete, o lado dele da quadra antes de a bola quicar no chão e tocar na mesma. Espero que tenha dado pra entender.

5 comentários:

Anônimo disse...

Nori, so tem um grande time nesse Brasileiro que se jogasse o que seu elenco pode, seria acima da média ,que é o Internacional, pelos valores individuais que possui.Mas tem ficado so no papel.O meu São Paulo falta um meio cmapo mais criativo, pois a defesa e o ataque bem ou mal, fazem a sua parte.O Palmeiras tem serios problemas defensivos, o Cruzeiro parece um time equilibrado, mas sem sal, nao desempenha bom futebol em jogos decisivos, nao parece pronto.O Gremio é muito ajustato taticamente, e joga no seu limite( com a corda esticada).O Flamengo sofreu com a janela e demorou para se recompor, a diretoria atrasou-se nas reposições.Acredito ainda assim mais no Palmeiras.


Marcelo

Joao Luis Amaral disse...

Concordo. Se levarmos em conta que 'futebol é momento', e que o momento do Palmeiras está melhor, tem tudo para dar uma arrancada final e abocanhar o bolo inteiro.
O problema é que ninguém consegue cravar quanto tempo dura um 'momento' positivo, nem quanto tempo durará o período negativo (se é que podemos chamar assim) do Grêmio.
Eu apostaria no Palmeiras.......
Quanto ao comentário sobre o Max, acho que há exceções à regra, mas a grande maioria assume que a carreira vem em primeiro lugar e vive bem assim (que, no final, é o que importa, não é?). Resta saber lá no final da vida, se a 'corrida' valeu a pena... Eu tento equilibrar o máximo os dois lados da moeda, mas confesso que é difícil.
Grande abraço,
Joao Luis Amaral

Robert Alvarez Fernández disse...

Caro Maurício, obrigado pelo texto...que sempre traz coisas do esporte com qualidade, "de vida e o que mais pintar" que é a tua proposta; coisa de gente que vê as coisas com mais amplitude.

O Campeonato Brasileiro segue sua rotina de grande equilíbrio, e isso é um fator chave de sucesso no interesse do público, será um final eletrizante; lamento apenas que as más condições dadas ao torcedor nos estádios impeçam do campeonato ser um sucesso ainda maior.

Quanto ao desafio das carreiras x qualidade de vida e o ruir do castelo financeiro que vemos : talvez estejamos presenciando uma mudança histórica; peço licença para citar Stiglitz em seu livro "Os exuberantes anos 90" onde ele nos convida à reflexão dizendo "se os resultados financeiros de uma corporação passam a ser mais importantes que o bem estar das pessoas, algo está errado"; hora de repensar algumas questões, não?

Abraços,

Robert

Athayde disse...

Nori, você está fazendo um belo trabalho no Arena, acompanhei o programa com a participação do Max e, confesso, ele é uma pessoa de conhecimento singular acerca do mercado, e é por possuir esse conhecimento e externá-lo que muitas vezes fico triste com que ele fala, embora seja a verdade. Infelizmente, os valores mudaram, e o deus mercado sobrepujou seus irmãos gregos, a filosofia deu lugar ao marketing e todos estamos vinculados às "morais" do mercado.
De qualquer forma, parabéns pelo trabalho e o programa com o Max, assim como todos os outros "Arenas" estão excelentes!

Emerson disse...

Nori, valeu por esclarecer a minha dúvida sobre a regra do tênis, parabéns por sua simpatia e presteza. Abraços