sexta-feira, setembro 05, 2008

A ESCOLA LUIZ NORIEGA

Reproduzo aqui e agradeço um comentário enviado por um internauta que, infelizmente, não se identificou. Ele fala do trabalho do meu pai, Luiz Noriega, como narrador. Lamenta que ele não tenha feito escola com seu estilo sóbrio, elegante e preciso. Acho que fez, sim. Vejo muitos narradores que têm uma linha parecida, com técnica mais televisiva e menos radioifônica, cada um fiel a seu estilo. Cito três que acompanho mais de perto: Cléber Machado, Jota Júnior e Milton Leite. Narradores de TV, não narradores de rádio que narram na TV. As narrações de tênis do Eusébio Resende lembram muito as do meu pai. Que, modestamente, e com todo o peso que o fato de ser filho dele pode ter, considero o narrador que melhor compreendeu o que é o estilo e o jeito de se transmitir esporte na televisão.
De qualquer maneira, fica aqui o comentário:

Há tempos que eu queria lamentar o fato de Luiz Noriega NÃO ter feito escola.Pra mim, foi disparado o melhor narrador esportivo da TV brasileira, em todos os tempos.Ele nunca pretendeu maquiar jogo nenhum; se a partida ou os lances eram banais, mantinha-se discreto - mas a emoção da narração dele aumentava na medida exata da emoção do jogo.Sempre imparcial, nunca vulgar, nunca "enlatado", nunca marqueteiro, nunca quis se sobrepor ao espetáculo, ótima voz, nunca quis julgar ninguém.E, principalmente, evitava o goooool prolongado que a TV bestamente importou do rádio. Por que os locutores atuais se esgoelam berrando ao microfone se eu estou vendo o gol??? Estão querendo chamar a atenção para uma coisa evidente, ora...Noriega tinha o seu bordão, "taí o (primeiro, segundo, etc.) gool".Acompanhando seus comentários, vejo seu empenho em se manter à altura do legado do seu saudoso pai.É uma difícil missão, levando em consideração o valor inestimável do grande Luiz e o ambiente não muito propício do jornalismo esportivo de hoje.

Também deixo um exemplo da categoria do "velho" Luiz Noriega.


6 comentários:

Rodrigo Borges disse...

Isso pra não falar das históricas narrações do "tio Nori" de basquete, época boa de Sírio, Monte Líbano. Aqueles tempos em que havia basquete masculino no Brasil.

Larry disse...

Nossa muito boa a narração.
Quando saia cada gol o ele dava uns segundo e, é o 2º do...
Hoje os caras se esguelam a cada gol, as vezes chego a baixar o volume até na hora.
Parabéns

davi garms disse...

entre seguir tal escola e faze-lo com classe tem uma distancia.... ainda mais qnd leio a descrição que o amigo faz no belo email que ele o enviou. veja o caso do cleber machado. qnd ele se concentra apenas no jogo, é um ótimo narrador. talvez aí vc tenha razão na comparação. infelizmente cada vez menos vejo ele fazer isso. geralmente ele se perde continuamente forçando a situação e as emoções, fica toda hora fazendo aquele famosa média com a torcida, sem falar qnd começa a divagar sobre assuntos completamente alheios ao jogo e aos fatos, com umas filosofias sem pé nem cabeça só pra preencher espaço. alias acho q essa é parte mais dificil pros narradores e onde realmente o cleber peca mt. alem de fazer um chilique enorme qnd é contestado. é um pena pois gosto da narração dele, mas como tal falatorio fica dificil de aguentar! seu pai é unico em seu estilo, não tem jeito. abraço

Robert Alvarez Fernández disse...

Maurício, já tive a oportunidade de comentar que sou "cria" do "é hora de esporte" e sempre me lembro de você ter me contado que aqueles senhores "faziam chover" mesmo com parcos recursos.

Realmente um grande time do qual o "seo Noriega" fazia parte, independente de comparações com alguém ou de época, uma turma que deixou saudades e que, se deixarem, tem lenha pra queimar e muito pra ensinar. Muito legal esse "recall".

Como já escrevi anteriormente, tietagem justificada.

Abraços,

Robert

sergio fuentes molina disse...

Mauricio Noriega,
Para mim é um prazer estar escrevendo a vc pois alem de ser fã do seu trabalho assisti muito jogos narrado pelo seu pai e gostava muito. Hoje tenho 45 anos e tres palmeirenses em casa de 22, 20 e 16 anos. Cresci vendo jogos que o grande Luiz Noriega nos trazia com seu estilo unico. Nesta semana vi um programa na tv cultura exibido em 1974 sobre copas do mundo onde vi seu pai e fiquei até emocionado. Chamei meu filho de 16 anos para ve-lo e ele achou muito legal pois vc é muito parecido com ele.
Parabens pelo trabalho de vcs. que considero reservas morais do esporte ncional. Abraços.

Joao Roberto disse...

Tinha curiosidade em saber qual era o seu parentesco com o grande Luiz Noriega. Então, já meio tarde, porque este blog já é antigo, quero dizer que tenho saudades daquela equipe da TV Cultura, com Orlando Duarte e Luiz Noriega. E gosto do seu estilo, que parece ser bem espelhado no seu velho! Parabéns!