sexta-feira, março 18, 2016

Tomada de decisão

Um dos aspectos fundamentais do esporte de rendimento que muitas vezes é relegado é a questão da tomada de decisão. Vendo alguns jogos recentes de times de futebol nacionais pude constatar como a maioria dos jogadores brasileiros está despreparada (ou seria mal treinada?) para a tomada de decisões dentro de uma partida, em especial nos momentos decisivos.

O jogador de futebol brasileiro médio (e 90% são de categoria média) foge da tomada de decisão como o diabo da cruz. Toca de lado, procura sempre alguém que possa assumir o risco em seu lugar. Diria, sem medo de parecer precipitado, que apenas 10% gostam e não se escondem na hora de tomar a decisão, seja ela certa ou errada.

A questão é mais profunda do que apenas saber ou não jogar, chutar, marcar, entender do jogo.
Passa pela formação do atleta. Pelo protecionismo exagerado de clube, empresários, família, assessores e amigos. O jogador de futebol brasileiro de time grande desde muito cedo é acostumado a viver numa redoma de bajulação. Não carrega nem seu uniforme, não faz check-in de voo e hotel, tem gente que pensa por ele, investe por ele, dirige por ele, responde por ele.

Aí vem a questão da proteção ou perseguição da torcida, da diretoria. Da pressa injustificada de parte da mídia em buscar e criar ídolos. Existem métodos para treinar mecanicamente a tomada de decisão de um atleta. No futebol há até máquinas sofisticadas em centros de treinamento dos maiores times do mundo que treinam o atleta para, numa situação simulada de pressão, decidir para quem passa, para que lado, se chuta, recua etc.
Algumas equipes bem treinadas e com sequências de alguns anos de linha de trabalho e filosofia conseguem fazer com que jogadores que não estavam acostumados às tomadas de decisões evoluam e deixem de ser coadjuvantes para se transformarem em protagonistas e participar das tomadas de decisões.
Atualmente no Brasil há dois times nesse estágio: Atlético Mineiro e Corinthians. Os demais correm atrás.

domingo, fevereiro 21, 2016

Raio-x do atraso

Enquanto não houver uma genuína preocupação de treinadores, jogadores e dirigentes com a qualidade do espetáculo, o futebol brasileiro seguirá descendo a ladeira em desabalada carreira.
Mídia e torcedores também têm sua parcela de responsabilidade. Conceitos ultrapassados como "jogo de Libertadores é diferente, é guerra", e torcedores que aplaudem jogadores que dão carrinho na bandeira de escanteio pouco ou nada contribuem.
Hoje o evento esportivo está mais caro, existem estádios melhores mas a qualidade do futebol praticado no Brasil e pelos times do Brasil é assustadoramente ruim.
Alguns resultados ainda mascaram a falta de ideias. O reflexo nos times de cima das grandes equipes é do total abandono porque passaram as categorias de base nas últimas décadas, entregues a oportunistas e empresários.
Perde-se tempo em discussões paralelas tocadas com base em absoluta falta de conhecimento do tema, motivadas por paixões, questões pessoais e até convicções políticas e ideológicas. São cada vez mais raros os casos de pessoas que genuinamente querem debater e melhorar o futebol brasileiro.
Os jogadores estão aprisionados em um conceito de competitividade totalmente míope. Fazem jogos medíocres e saem de campo acreditando que participaram de uma disputa de boa qualidade. Correm muito e de forma equivocada e entram numa espiral de lesões provocadas por desgaste desnecessário originado por treinamento deslocado e desconectado com a realidade do jogo praticado.
São cada vez mais raros os casos de treinadores que conseguem explicar como jogam seus times, quais as propostas de modelo e, principalmente, colocá-las em prática.
No Brasil ainda se valoriza um conceito antiquado. A regra é mais ou menos a seguinte: se fulano jogou futebol, bem ou mal, pouco importa onde e quando, está pronto para trabalhar com futebol em qualquer ramo de atividade, não precisa de estudo, não precisa de formação e capacitação.
Mantras como o chupou laranja com quem, jogou onde e nunca chutou uma bola são repetidos à exaustão por gente que acredita saber todos os truques e todos os segredos, embora jamais tenha colocado em prática.
A direção do futebol no Brasil, que privilegiou o negócio muitas vezes cheio de atalhos estranhos hoje não tem condição alguma de tocar uma reforma ampla, geral e profunda.
O debate intelectual ainda trafega entre uma nostalgia legítima, porém desconectada da realidade, e um certo exagero no pranchetismo juramentado.
Falta boa vontade a todos nós para encarar um debate sério, profundo e que possa a partir de agora dar o pontapé inicial para uma verdadeira reforma que possa recolocar a bola nos pés certos e o futebol brasileiro em um caminho de reconciliação com suas origens, mas fundamentadas em modelos de gestão honestos, sérios e com credibilidade.

sexta-feira, outubro 09, 2015

Atenção, Pachecada!

Para a pachecada que adora ostentar os números da seleção brasileira de Dunga em amistosos, algumas péssimas notícias: foi a primeira derrota do Brasil em estreia de Eliminatórias; dos últimos quatro jogos oficiais, o Brasil perdeu dois, empatou um e ganhou um.

O Chile tem mais técnico, tem mais time, tem sistema de jogo atualizado e teve dois jogadores que seriam titulares em qualquer formação brasileira: Vidal e Sanchez.


Dunga ainda está preso a conceitos de jogo do século passado. Na seleção brasileira ainda existem volantes, quando no futebol atualizado os meio-campistas atacam e defendem, em constante troca de posições. Dunga tranca Luis Gustavo e Elias.

O melhor zagueiro chileno, Medel, tem 1m71, e neutralizou a "bola parada", a obsessão dos treinadores de futebol do Brasil. Eduardo Vargas, de 1m75, fez um gol de cabeça em bola parada. Para que tanto treino fechado?

Jéferson é um bom goleiro, assim como Cássio, Alisson, Victor, Fábio, Prass. Qualquer um poderia estar jogando.

Não foi um desastre, mas deixou claro que o Brasil sem Neymar não tem protagonistas em campo, e a estratégia de jogo de Dunga abdica do protagonismo, que sempre foi a marca das seleções brasileiras, das melhores e das piores.
É bastante provável que o Brasil se classifique para o Mundial da Rússia. Também é bastante provável que o futebol e a seleção do Brasil continuem como estão ainda por muito tempo.

terça-feira, setembro 01, 2015

O futebol distante


Vejo com preocupação um movimento que ocorre no futebol brasileiro.

Sob a desculpa esfarrapada da organização, alguns clubes e assessores de imprensa de clubes desencadearam um processo que está afastando e isolando os jogadores de futebol de seu público-alvo: os torcedores.

Pode parecer que a ideia esteja envolta em um ar de modernidade. Ela envolve os repórteres que acompanham o dia-a-dia dos clubes. Também passa pela divulgação das marcas dos times e do próprio trabalho dos jogadores.

Hoje os atletas profissionais do futebol estão sendo escondidos do público. Falam cada vez menos. Há casos em que o destaque do jogo não fala, não mostra a cara, não vende seu peixe, mesmo depois de ter decidido uma partida. Tudo porque não estava programada sua entrevista coletiva.

Qual o efeito disso tudo? A perda da naturalidade e do protagonismo.

Hoje somos bombardeados por enfadonhas entrevistas coletivas de treinadores. Eles foram catapultados, muito por culpa da própria mídia, ao posto de grandes estrelas de um espetáculo do qual nem sequer são os protagonistas. Técnico tem sua importância, claro, mas ninguém compra ingresso para ver o Tite, o Mano, o Luxa, o Levir, os Oliveira, o Roger. Quem vai a campo, vai para ver uma camisa, uma história e os jogadores de futebol.

Muito do que se sabe hoje da gloriosa história do futebol brasileiro foi contado por jornalistas que viram essa história acontecer. Treinadores espetaculares como Tim, Ênio Andrade, Brandão, Telê, Minelli, entre outros, trabalharam em uma época em que era tudo menos complicado e mais natural.

Treinadores e jogadores muitas vezes cobram comentaristas dizendo que não assistem aos treinos.

Ora, que treinos, cara-pálida? A maior parte deles é fechada, tida como secreta, e o que se pode ver é um festival de roda de bobinho e cruzamentos.

Perguntar, conversar, investigar?

Está cada vez mais difícil. Isso só faz proliferar a ideia de que os jogadores são estrelas inacessíveis, trancafiadas em suas caixas-fortes de hotéis, aviões e concentrações. E que treinadores são primas donas inacessíveis e donos da verdade.

Felizmente, alguns poucos ainda falam e trazem boas histórias e informações. Além de explicarem algumas situações que ganham a rua por falta de esclarecimento.

Essa postura gera, também, informações equivocadas, as chamadas barrigas. Porque quando o jogador não fala, outros falam por ele. É aí que mora o perigo.

Recordo uma história que vivi em meus tempos de repórter de jornal. Trabalhava em A Gazeta Esportiva. Mirandinha, aquele atacante do final dos anos 90 que era velocíssimo, estava em alta no Corinthians. Tinha acabado de jogar bem e se destacar em um clássico. Era personagem. Fui entrevistá-lo no vestiário - ainda se permitia que repórter entrasse em vestiário após o jogo. Ele disse que tinha um compromisso numa emissora de TV e que precisava sair rápido, mas acrescentou o seguinte: "Anota meu endereço e passa amanhã na minha casa que a gente faz a matéria".

Fui à casa de Mirandinha na segunda-feira. Divertido, ele me pediu desculpas e disse que precisava almoçar com o filho e me convidou para comer. Recusei educadamente. Ele foi almoçando e respondendo. Papo bom, mas nada de espetacular.

Até que depois da sobremesa ele pegou o filho e foi jogar videogame. Montou seu time e escalou o ataque: ele, Mirandinha, e Ronaldo Fenômeno. Disse que seu sonho era jogar com o Fenômeno e que só podia realizá-lo no videogame.

Era a matéria. Fotografia do jogo, dele jogando, das jogadas que fazia no game com o ídolo, respostas sobre a admiração pelo Fenômeno, que brilhava na Espanha.

A matéria teve ótima repercussão e recebi um telefonema do José Maria de Aquino, que era o chefe do esporte da Globo em São Paulo à época, pedindo o telefone do Mirandinha, elogiando a reportagem e perguntando se tinha problema eles fazerem uma matéria com o mesmo tema na TV. Claro que não tinha.

Enfim, apenas uma situação para ilustrar como o futebol pode se beneficiar de uma relação que não precisa ser bagunçada, mas pode ser mais aberta com os jornalistas.

Muitos torcedores jamais chegarão perto de um jogador, de um ídolo. O contato com a mídia ajuda a fazer esse meio-campo, com o perdão do trocadilho, e a desmistificar (ou até negar) uma ideia corrente que aponta os jogadores da atualidade como estrelas mimadas e desconectadas da realidade.

Falta visão para alguns clubes, empresários de jogadores e assessores de imprensa.

sábado, agosto 29, 2015

Valeu, Riva!!!!!

Que noite! Uma honra sentar ao lado de um dos maiores gênios do futebol mundial e um dos caras mais divertidos e sinceros que já conheci. Agadeço ao grande Roberto Rivellino. A perna canhota jamais se cansava, mas a mão direita ontem foi testada ao extremo.







sexta-feira, agosto 28, 2015

sexta-feira, agosto 21, 2015

Osório provoca o bom debate


Nada tenho contra treinador estrangeiro trabalhando no futebol brasileiro.

Acredito que quanto mais a informação circular, maior a chance de ser transformada em conhecimento. Em qualquer parte.

Também não tenho nada contra o treinador brasileiro trabalhar fora do País. Acho que nossos treinadores de elite vivem numa bolha de conforto. Ganham muito bem, têm um vasto mercado e não são impulsionados a tentar desafios fora do Brasil.

Memória nunca foi o forte do brasileiro ligado em futebol. Muita gente esquece que Tim, Didi, Brandão, Oto Glória e outros existiram e foram bem sucedidos trabalhando fora do Brasil.

Os resultados recentes de Felipão podem apagar a passagem importante que teve em Portugal.

Também não é de hoje que treinadores estrangeiros trabalham no Brasil.

O tema aqui é debater a situação que vive hoje o colombiano Juan Carlos Osório, contratado pelo São Paulo, e projetá-la mais à frente. Porque Osório está jogando no centro de um debate que ele não propôs e nem criou. Mas do qual faz parte, ao emitir conceitos futebolísticos e filosóficos acerca do mercado em que está trabalhando.

Após os 7 a 1 da Alemanha, uma corrente de pensadores, que merece respeito como todas as outras, decretou que o futebol brasileiro estava acabado, ultrapassado, era um Robinson Crusoé. Há outras correntes que entendem que temos problemas, mas não é o fim dos tempos. E há a CBF, para quem está tudo sempre ótimo, perfeito, maravilhoso, no mundo de fantasia em que vivem seus dirigentes.

O que vejo, e é apenas um ponto de vista, é que existe um excesso de má vontade contra a instituição treinador de futebol brasileiro. Acompanhado de um excesso de boa vontade para com a ideia de que um estrangeiro dê certo trabalhando num clube nacional - como já aconteceu no passado, mas o passado não costuma ser considerado relevante para uma nova geração de pensadores, analistas e torcedores.

Vamos ao caso específico de Osório. O argentino Ricardo Gareca, quando passou pelo Palmeiras, não contou com 10% da boa vontade dirigida ao colombiano por grande parte da mídia . Gareca talvez merecesse essa boa vontade se tivesse mais tempo. Mostrou anteriormente ser bom treinador e levou o Peru a uma boa campanha na Copa América. Gareca e Osório foram contratados na hora errada, em meio de temporada. Isso interfere no rendimento, no aproveitamento de jogadores, no conhecimento de adversários e na assimilação de conceitos e métodos. O ideal seria que tivessem começado a temporada. Espero que Osório tenha essa oportunidade, o que Gareca não teve.

O que talvez contribua para essa boa vontade quanto a Osório seja o currículo teórico, a formação acadêmica europeia e a graduação mais alta como treinador da Uefa. Hoje nossos olhos estão voltados para a Europa. Nossos jovens torcedores são educados vendo os grandes times europeus na TV e no videogame, e nossa nova geração de analistas e treinadores também segue o que eu definiria como paradigma Uefa de futebol. Paradigma respeitadíssimo, diga-se.

Não quero aqui comparar Gareca e Osório. Odeio comparações individuais. Mas estou comparando o tratamento, para chegar mais adiante na avaliação do treinador brasileiro em geral. Como treinador principal, Osório tem títulos apenas nos EUA e na Colômbia. Para alguns analistas, pelo que ouço e vejo, os anos como assistente no Manchester City são a cereja do currículo de Osório, não os trabalhos como treinador principal. Com o que, modestamente discordo. Gareca tem mais conquistas como treinador principal do que Osório. No Peru e na Argentina, inclusive conquistando uma Copa Conmebol com o modesto Talleres de Córdoba.

Repito: não comparo Gareca a Osório. Analiso o tratamento. Dia desses ouvi que foi só dar uma semana para Osório trabalhar que ele mudou o time. Peraí! Quando perde depois de uma semana de trabalho o que acontece? Não é por aí.

Vou ser mais direto: vejo uma enorme torcida por parte de formadores de opinião para que o trabalho de Osório dê certo e que, com isso, a tese da supremacia do pensamento europeu prevaleça sobre o conceito do "ultrapassado" modelo brasileiro.

O futebol brasileiro tem problemas, claro. Inúmeros. Tem treinadores desatualizados, sim.

Mas existe muita gente capaz, séria e trabalhadora no futebol brasileiro. Existe debate de ideias com boas propostas, como no caso da Universidade do Futebol. Existem treinadores que estudam, se atualizam, evoluem. Não se trata de jogar pela janela a informação que as gerações de profissionais do futebol brasileiro acumulou. É preciso saber utilizá-la para que seja transformada em conhecimento.

Voltando a Osório, ele acerta e erra como qualquer treinador, colombiano, brasileiro, inglês. Ele tem seus métodos e sua forma de trabalho. Em alguns jogos, particularmente, acho que inventa, chuta o balde. Como disse durante a transmissão de São Paulo x Ceará, se fosse o Carpegiani, analistas o teriam chamado de Professor Pardal. Citei Carpegiani porque muitas vezes ele propôs coisas parecidas com o que propõe Osório e foi chamado de Pardal. Assim como Caio Júnior, por exemplo. Novamente evito comparações, cito apenas dois exemplos.

Menos entusiasmo parcial com Osório (e menos críticas dirigidas por setores políticos de clube) e menos críticas generalizadas a treinadores brasileiros serviriam para enriquecer o debate. O fim dos tempos ainda não foi instalado e o treinador colombiano não veio ao Brasil para fazer o julgamento final de nosso futebol e separar os justos dos condenados.

Não tenho a fórmula do sucesso e nem o segredo para a recuperação do futebol brasileiro. Mas acho que há informação e conhecimento aqui gerados que podem ser muito bem aproveitados.

Não creio que a solução seja simplesmente copiar o que se faz lá fora. Ainda acredito que podemos buscar uma solução nacional, aprendendo com o que é para ser aprendido e vem sendo muito bem feito lá fora, em termos de seriedade, organização, estrutura e método. Mas não gostaria que a escola brasileira de futebol sucumbisse simplesmente para ser assimilada pelo modelo europeu, como faze os Borg em Jornada nas Estrelas. Precisamos formar mais e melhores jogadores, recuperar a base, para depois incutirmos a ideia tática. Minha opinião.

Vida Longa e Próspera ao bom debate.

segunda-feira, agosto 10, 2015

Boas notícias do Brasileirão

Pode ser que não dê em nada.

Pode ser que nem sequer cheguem até a zona de classificação da Libertadores no final do campeonato.

Mas as melhores histórias futebolisticas do primeiro turno do Brasileirão estão sendo contadas por Sport, Grêmio e Atlético Paranaense.

Começaram longe das famigeradas listas de favoritos. O Sport, mesmo sendo o clube mais poderoso do Nordeste, com bons recursos, pagando em dia, nem de longe conta com o poder político e financeiro dos clubes do Sudeste e do Sul. Manteve o treinador e tem desempenho consistente, perde pouco. O problema é que ganha pouco fora. Se vencesse mais fora estaria na disputa pelo título com boas condições.

O Grêmio estava esfacelado no início do torneio. Segue financeiramente encrencado, não conta com os recursos do estádio, não competem em condições de igualdade pelo mercado de compra. Mas apostou em Roger, que encontrou uma equipe competitiva mesclando garotos a alguns jogadores rodados.

O Furacão há tempos investe em pré-temporada, deixando de lado o estadual e apostando no Brasileiro. Também conta com recursos limitados se comparado aos times mais poderosos, mas tem uma linha de conduta tática: times rápidos com aposta em jovens jogadores e treinadores.

Atlético Mineiro, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Fluminense, todos contam com mais elenco, mais dinheiro e condições. Galo e Timão confirmam o favoritismo. Verdão, Tricolor e Fluzão patinam numa gangorra inconsistente. Dão pinta de que vão avançar e se firmar, mas escorregam.
Aguardemos o segundo turno.

segunda-feira, agosto 03, 2015

Novo livro chegando: Rivellino



Em breve será lançado e chegará às livrarias mais um desafio que abracei: fazer um perfil jornalístico de um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos.

É um perfil, não é uma biografia. O objetivo é tentar explicar porque Roberto Rivellino encantou gerações e gerações de torcedores e jogadores que o admiram mesmo sem tê-lo visto jogar (apenas em vídeo).

Rivellino foi um dos melhores produtos de um futebol e de um País que não existem mais. 

Depoimentos de Pelé, Zico, Tostão, Platini, Beckenbauer, Neto, Alex, Zé Roberto Padilha (da Máquina do Flu). Em breve informações mais detalhadas sobre o lançamento, pela Editora Contexto.

terça-feira, julho 28, 2015

O dia em que entrevistei meu ídolo


Fui um modesto, esforçado jogador de voleibol.

Tive a sorte de jogar em bons clubes, bons times e com grandes jogadores. Muitos se transformaram em amigos para toda a vida.

Pude contar com excelentes treinadores que me ensinaram os fundamentos do esporte e, mais do que isso, tornaram-se bons amigos.

Eram os anos 80 do século passado. O vôlei explodia no Brasil. Eu conhecia alguma coisa do esporte, acompanhando meu saudoso pai, Luiz Noriega, nas transmissões. Via jogar Antonio Carlos Moreno, Badá, Suíço, William, Bernard, os craques que foram os precursores - e muitos viriam integrar - a geração que faria o País se apaixonar por esse esporte, a chamada Geração de Prata, que vale ouro.

Em 1980 meu pai transmitiu os Jogos Olímpicos de Moscou. O Brasil no vôlei masculino quase foi ás semifinais. Em 1981 seria medalha de bronze na Copa do Mundo, o primeiro pódio de grande vulto na história, e tudo começaria a mudar.

Em meus devaneios de jovem atleta fui fisgado em uma madrugada enquanto via um jogo de voleibol das Olimpíadas de Los Angeles-84. O time dos Estados Unidos jogava o fino, mas um cara se destacava: Karch Kiraly. O sujeito parecia um livro ou um vídeo que ensinava como se joga voleibol. Fundamentos perfeitos, completos, técnica absurda, inteligência.

Eu era um grande fã do Renan, cracaço brasileiro, mas ver o Kiraly jogar era uma experiência diferente.

O tempo passou, o time dos EUA foi multicampeão, sempre com Kiraly.

Em 1991 houve um campeonato mudial de clubes, em São Paulo. Fui à cobertura com meu grande amigo Nicolau Radamés Cretti, pelo Diário Popular.Nicolau abria todas as portas do voleibol com seu talento e credibilidade. Fora isso, era generoso. Sabia que eu tinha jogado vôlei, gostava e era fã do Kiraly. Conseguiu um tempo para uma entrevista e me "escalou".

Foi um papo rápido, mas o cara mostrou educação e extremo conhecimento. Jogava pelo Ravenna, da Itália, que seria o campeão,. De forma objetiva, franca e direta, ainda na primeira fase do torneio, disse que seu time era muito superior a todos os outros, inclusive ao Banespa, representante do Brasil, e que deveria vencer com tranquilidade. Não exalava arrogância ou prepotência. Era prático e conhecedor.

Minha missão como jornalista era evitar o deslumbramento de estar diante do cara que deve ser o Pelé do vôlei e era um ídolo dos meus tempos em que sonhava com um futuro de atleta que jamais chegaria. Ali eu era um profissional extraindo informação com o objetivo de transformá-la em conhecimento para o leitor. Não era um tiete entusiasmado. Não pedi autógrafo, não fiz selfie (nem existia). Cumpri meu dever.

Kiraly ainda seria campeão olímpico no vôlei de areia e hoje é o treinador do melhor time feminino do momento, os EUA.

Deve travar um duelo contra outro ícone e ídolo, José Roberto Guimarães, provavelmente o principal treinador da história dos esportes coletivos no Brasil.

Quem gosta de voleibol agradece.

sexta-feira, julho 10, 2015

O Pan e a potência olímpica


Há diversas maneiras de se ver os Jogos Pan-americanos.

Eu os vejo sob várias óticas.

Uma delas é a de quem foi atleta, como eu. Atleta cuja falta de talento não permitiu concretizar o sonho de disputar um Pan, por exemplo.

A outra é do fanático por esportes.

Lembro-me como se fosse hoje da imagem do inesquecível João Carlos de Oliveira batendo o recorde mundial do salto triplo, inacreditáveis 17m89, no Pan da Cidade do México, em 1975. Eu estava com caxumba e via tudo pela TV. Aquele Pan deveria ter sido realizado em São Paulo, mas um surto de meningite impediu.

Há ainda a histórica conquista do basquete masculino em 1987, a do basquete feminino em 1991, o vôlei masculino em 1983. São muitas.

Uma terceira via de análise é a do crítico. O Pan hoje perdeu muito do brilho, por razões comerciais e esportivas. Entre as comerciais está o fato de que o Pan perdeu, em especial na maioria dos esportes coletivos, a prerrogativa de ser classificatório para as Olimpíadas. Por que comerciais? Porque as Federações Internacionais preferiram criar os Torneios Pré-Olímpicos, um evento a mais, que gera receitas com patrocínios, direitos de TV e ingressos.

O Pan tromba com algumas das principais seletivas olímpicas dos EUA, eventos muito bem tratados em termos esportivos e de mídia.

Além disso, o calendário esportivo hoje oferece uma gama de oportunidades para atletas muito mais ampla do que nos tempos de glória do Pan. Existem provas com premiação em dinheiro que atraem os principais atletas.

Há ainda uma outra visão, essa muito brasileira, que é a forma como o Pan é usado como propaganda por atletas, federações e o Comitê Olímpico. Principalmente às vésperas da primeira Olimpíada a ser realizada no Brasil. Os resultados muitas vezes são superavaliados. Porque é preciso renovar patrocínios, buscar novas parcerias e turbinar os Jogos de 2016.

O torcedor brasileiro adora vitórias, muito mais do que esporte, e as vitórias trazidas pela TV em HD e grandes imagens provocam um efeito muitas vezes enganador quanto à real capacidade de atletas e equipes.

Tento ver o Pan como ele é. Uma competição importante, da qual pouquíssimos atletas conseguem participar, raríssimos conseguem subir ao pódio e vencer.

Mas o Pan em nível técnico, salvo o caso específico de alguns esportes, não é mais uma competição de primeiro nível técnico.

Mesmo assim ainda pode ser uma atração divertida.

segunda-feira, junho 29, 2015

O futebol brasileiro rumo ao abismo

Enquanto for tocado na base de projetos pessoais e colocar o negócio acima do esporte o futebol brasileiro seguirá rumo ao abismo. 

Não existe sequência de trabalho e lógica. A seleção é entregue aos treinadores, que têm superpoderes e não existe ninguém acima deles para contestar com conhecimento técnico e experiência. 

Quando o barco aderna, é cada um por si. Patéticas entrevistas exclusivas para simpatizantes, apagões, viroses, chupou laranja com quem etc.

A maioria dos jogadores e ex-jogadores de futebol brasileiros acha que é Phd em futebol apenas por ter jogado futebol. Falta preparo, estudo para seguir outra carreira no jogo. Raros são os que se preparam.

Há um conflito de gerações, falta unidade. Os jogadores de épocas mais recentes consideram os dos anos 80 e 90 superados. Não assumem publicamente, mas escancaram nos bastidores.

A geração de 58 e 62 está partindo e sua experiência está sendo perdida. A geração de 70 é vista pela turma de 90 para frente como representante de um futebol antigo e desatualizado. Com isso deixam de aprender com os melhores.

As vitórias recentes produziram uma geração raivosa, vingativa e outra marcada por certa soberba.
A seleção perdeu a conexão com as ruas, com o País. Seria lógico que perdesse a conexão com o estilo de jogo que a consagrou.

Que moral tem a direção da CBF para propor um amplo debate com todas as gerações campeãs mundiais e com gerações que perderam mas encantaram, além de treinadores atuais e jornalistas experientes que viveram os tempos de glória e testemunham  a crise atual?

No Brasil a vitória legitima trabalhos medíocres e a derrota condena projetos maravilhosos.
A mídia quando toma partido e deixa de lado a isenção, por amizades ou preferências pessoais, contribui para a ruína.

A estatística oportunista é usada para tentar demonstrar erudição e não para transformar informação em conhecimento.

O campeão mundial de amistosos cujos contratantes convocam segue caindo pelas tabelas nas competições oficiais. 

Quando começar a Copa de 2018, o Brasil estará completando 16 anos sem conquistá-la. Sem encantar. De 1970 a 1994 pelo menos houve 1982. 
De 2002, se chegarmos a 2018, o que houve?

terça-feira, junho 09, 2015

O problema não é trocar de técnico. É o embasamento da troca


Existe uma nuvem de indignação no que se refere à troca de treinadores de futebol no Brasil.

Não resta dúvida de que as trocas são exageradas.

Mas cabe ressaltar que mudar não é proibido e muitas vezes se faz necessário.

O problema está no embasamento por trás da troca, nos motivos e nas circunstâncias.

Talvez não seja saudável e na maioria das vezes pode até ser errado.

Mas não há regra que diga que a troca seja sempre absurda, equivocada ou intempestiva.

Não me refiro especificamente a caso algum.

A opinião é macro, não micro.

O que deveria ser avaliado não é a troca, na velha dicotomia do certo ou errado, que muitas vezes vai para o lugar comum de que nunca se deve trocar de treinador, de comando. Em alguns casos, a mudança é salutar e absolutamente necessária.

O que pega é quem troca e porque troca.

Quem decide trocar tem capacidade para avaliar se o resultado é bom, independentemente dos resultado?

Ou quem decide se deixa levar por opiniões de conselheiros, torcedores, corneteiros, comentaristas?

Quem banca a troca tem conhecimento para argumentar com o treinador demitido e enumerar os motivos da demissão?

Aposto que na maioria das vezes, não.

A demissão se decide pela urgência dos resultados e pela pressão política interna do clube, de torcedores e da mídia.

Deveria existir uma figura nos clubes de futebol que pairasse acima do treinador e abaixo da Diretoria estatutária que respondesse por essa decisão.

Resposta embasada de um profissional com conhecimento técnico de futebol e de gestão de um clube. Capaz de cobrar do treinador a falta de qualidade de um trabalho ou defendê-lo junto à Diretoria se identificasse qualidade apesar de eventual falta de resultados.

Desde que haja uma avaliação séria, isenta e consistente, nada existe de mal em se trocar um treinador.

Assim como não há pecado no fato de um treinador que está tocando um belo trabalho num time médio, por exemplo, aceitar convite para assumir um time grande. Decisão esta que é muito menos contestada por treinadores, dirigentes, jogadores, torcedores e mídia no Brasil.


quarta-feira, junho 03, 2015

Causos do Nori - A bomba do Cipri


Tive a ideia de escrever alguns pequenos contos. Que por definição contam histórias do cotidiano, curiosas, engraçadas.

O primeiro será uma lembrança dos tempos de Escola Nossa Senhora da Consolação, em São Paulo.


A bola era objeto de culto para a molecada na Escola Nossa Senhora da Consolação. Antes - e se bobear durante - e depois das aulas, tudo era motivo para um bate-bola improvisado. Na ausência de bola, garrafinha de Yakult e tampa de lancheira iam para a pequena quadra com gols de cano de ferro.

Naquele dia havia uma novidade agitando a escola. Cipriano tinha chegado de Belém do Pará para se tratar com um médico famoso, Haruo Nishimura, que cuidava do então presidente João Figueiredo, e tinha consultório pertinho da escola.

Cipri, como foi rapidamente apelidado pela molecada, era a cara do Nélson Piquet. Ele tinha uma perna menor do que a outra e vinha ao ortopedista para buscar alternativas.

Na hora do recreio a pelada era a lei. Formavam-se três, quatro times. Na hora de escolher, Cipri se apresentou para jogar. Todo mundo se achava malandro e na maldosa ingenuidade da pré-adolescência a sentença era cruel: ninguém queria um manco no time.

Cipri bateu o pé (sem trocadilhos) e foi escolhido.

Quando entrou em quadra precisou de alguns minutos para virar ídolo. O danado era rápido, driblador e soltou uma bomba justamente com a perna mais curta que varou o goleiro adversário e foi explodir na parede atrás do gol.

Delírio na quadra. Juntava gente para ver o Cipri que, mancando, jogava mais do que a maioria dos que se julgavam craques.

Cipri ficou pouco tempo na escola, mas sua passagem pela nossa quadra foi marcante.

Fica a lição.

Quando for escolher seu time na pelada, não tenha preconceito com os mancos.

quarta-feira, maio 27, 2015

Não tem projeto. Acabou o dinheiro


Vejo muita gente festejando como se fosse uma guinada administrativa o momento no futebol brasileiro, no qual clubes dispensam jogadores e treinadores caros.

Na verdade, trata-se do fundo do poço chegando rápido.

Quebrados em sua maioria, os clubes brasileiros foram vítima do pensamento do novo-rico.

Esbanjaram, posaram de poderosos. Houve quem sonhasse disputar a popularidade internacional com as potências europeias.

A dura realidade se manifesta agora.

O País em crise, a escassez de crédito e de patrocinadores fechou a torneira.

Nunca circulou tanto dinheiro no futebol brasileiro como nos últimos 20 anos, mas o que fizeram os clubes?

Chafurdaram e hoje estão passando o pires.

Há tentativas louváveis de adequação a uma nova realidade, como a do Flamengo, e existem clubes de perfil mais modesto que tentam sobreviver sem cheques voadores.

O Corinthians dispensa Guerrero e Sheik mas gasta 24 milhões ao ano com três reservas. Um deles jogou três meses para o clube descobrir que está fora de forma: Vágner Love.

O São Paulo prega modernidade e inovação ao trazer o colombiano Osório, mas na verdade está reduzindo em 50% o que pagava para o treinador anterior, Muricy Ramalho.

Luxemburgo reclama de que a diretoria do Flamengo não sabe nada de futebol, mas a do Grêmio acreditou nele e quebrou o tricolor gaúcho. Como explicar o caso de Kléber Gladiador, que ganha um salário astronômico para não jogar.

O Palmeiras trocou a dívida com bancos por uma dívida com o presidente. Que acontecerá se a lua-de-mel entre torcida e time terminar e as arrecadações milionárias de estádio e sócio-torcedor forem reduzidas?

Não existe almoço grátis e ninguém é bobo.

A crise é brava, chegou forte ao fuebol e os clubes estão cortando na carne porque não têm outra alternativa.

Se houvesse dinheiro e crédito fartos, continuariam gastando mal.

JOGADOR DECISIVO

Respondo à pergunta de um leitor sobre o que eu considero jogador decisivo.

Como a própria palavra diz, o que decide jogos com frequência. Não precisa ser um grande craque, mas um goleador frequente, que aparece nos momentos importantes e não refuga. Um goleiro espetacular, que evita derrotas e garante vitórias.

Exemplos atuais? Temos alguns, mesmo que não sejam craques e nem vivam grandes fases. Fred em clubes é um jogador decicivo. D´Alessandro também. Guerrero. Ceni, Vítor, Fábio, entre os goleiros. Mas não vale jogador que decide um torneio e desaparece, tipo Gabiru, Betinho etc.

segunda-feira, maio 25, 2015

Correr certo e correr errado

Cada vez mais me convenço que, além da safra muito fraca de jogadores que hoje atua no Brasil, um dos motivos para a péssima qualidade está no treinamento.

Como sempre digo, temos muitos atletas e poucos jogadores de futebol.

Após as partidas, vemos treinadores e jogadores dizendo que o jogo foi bom só porque os times correram e lutaram. 

Eles acham o que está aí bom, porque é para isso que treinam. Correr, correr e correr. Pensar o jogo e estar preparado para correr, sim, mas correr certo, em conjunto, de acordo com uma estratégia, é cada vez mais raro.

Por isso tantas lesões musculares com 5 meses de temporada.

O jogador de futebol no Brasil não é treinado e preparado para jogar futebol, é treinado e preparado para correr.

Um olhar atento à maioria dos jogos e times do Brasil perceberá que numa puxada de contra-ataque, ou numa bola esticada, o atacante geralmente vai sozinho, lutando contra três ou quatro marcadores, e o resto de seu time apenas assiste, como espectador privilegiado.

Quantos gols acontecem porque o time está saindo para o campo de ataque e um ou dois zagueiros desavisados não vão junto, de forma coordenada, dando condição aos homens de frente adversários em caso de contra-ataque?

O jogador brasileiro de hoje corre muito e quase não pensa. Os que pensam não correm. Porque hoje o jogo pede essa dinâmica, é preciso ter raciocínio e execução rápidos.

Dois exemplos: Ganso e Valdívia. São dos raros que têm capacidade de pensar e executar. Ganso pensa rápido mas é lento para executar. Valdívia pensa mas não tem condição física para executar rápido.

Os dois brasileiros que sobrevivem na Libertadores são times que taticamente, embora ainda busquem ajustes, conseguem ser mais compactos. O Cruzeiro ainda apenas na Libertadores. O Inter um pouco mais adiantado. Percebe-se claramente uma coerência na proposta de jogo com o que se executa.

O Corinthians começou o ano assim, rápido, coerente, compacto. Mas foi se desfazendo com o tempo.

O Atlético Mineiro é hoje o time mais coerente do Brasil. Coerente com sua proosta de jogo, de sempre buscar a vitória com posse de bola e transição rápida, aproximação, tabelas. Nem sempre consegue, mas quase sempre tenta de maneira fiel ao que propõe.

Os demais investem na correria desenfreada, no preparo físico, no chutão ou na retranca pura e simples.

O problema é que correm errado. Não correm como conjunto, correm para corrigir erros de posicionamento, fazer coberturas que em um time organizado não seriam necessárias. Saem de campo exauridos porque correram muito mais do que precisariam correr. 

É preciso repensar muita coisa no futebol brasileiro.

Isso passa necessariamente pela base e pelo treinamento, em conjunto com a preparação física.

domingo, maio 10, 2015

Brasileirão: projeção só após 12 rodadas


Analista de qualquer coisa sempre se complica quando tenta dar uma de adivinho.

Fujo desse tipo de comentário como o diabo da cruz.

Comentarista não é pitonisa, diz o grande Roberto Petri.

Infelizmente, torcedores e analistas de futebol no Brasil são escravos da mania do palpite. Narradores, apresentadores e repórteres também.

Sempre tem a famigerada pergunta do palpite. Para o jogo, para o campeonato, para a zona de Libertadores e para o rebaixamento.

Palpite é chute.

Para se fazer uma análise com algum conteúdo do que pode ou não pode acontecer no Brasileirão eu trabalho com um número: 12 jogos.

Equivale a um terço do torneio de 38 partidas.

Depois de 12 jogos todos os times terão enfrentado grandes times, babas, clássicos importantes e jogado dentro e fora de casa uma quantidade de jogos que possa servir de parâmetro.

O torneio é muito equilibrado e depois de 12 jogos a Libertadores não deve ter tanto peso em relação aos times brasileiros participantes. A maioria deve estar voltada mesmo para o Brasileirão.

O que se fala sobre favoritismo tem relação com o desempenho dos times até o momento e a qualidade dos elencos.

Mas a medida certa só pode ser avaliada quando os jogos do Brasileiro começam,

Qualquer time da Série A é melhor do que a maioria dos times que participam dos estaduais. Inclusive as equipes reservas dos grandes times.

Portanto, em 10 de julho, quando estiver terminada a rodada 12 do Brasileiro, será possível ter alguma noção do que será essa disputa.

Antes disso, é puro chute.

quarta-feira, maio 06, 2015

Mando de jogo vira várzea no Brasileirão


A questão do mando de jogo no Campeonato Brasileiro virou várzea.

Quebrados financeiramente, alguns sem estádio próprio para viabilizar uma renda fixa com programas de sócios-torcedores ou vendas de carnês, alguns times vendem seus mandos de jogo.

Tal qual cambistas, dirigentes oferecem seus jogos para quem oferecer mais. Quase tudo em cima da hora.

O que poderia ser uma saída interessante para casos de perda de mando de jogo transformou-se em estratégia manca de marketing de segunda linha.

Como cobrar equilíbrio técnico em um campeonato que chuta para escanteio a ordem de jogos na sequência de mandante e visitante?

Como exigir igualdade técnica e esportiva se uma equipe enfrenta certo adversário em um estádio e outra equipe faz jogo contra este mesmo adversário em outra arena?

Citemos aqui um caso sem dar nome aos clubes.

Uma equipe do Sul vai enfrentar um adversário do Sudeste num jogo no Rio. Então uma outra equipe do Sul tem que enfrentar o mesmo adversário do Sudeste, mas o jogo é marcado para Manaus, por exemplo? Houve a tão proclamada e exigida justiça? Isonomia, igualdade de condições?

Como o cartola brasileiro sempre se acha mais esperto que a esperteza, podem apostar que já tem dirigente estudando a tabela e fazendo cálculos para saber como pode fazer para que um adversário sofra mais com viagens, deslocamentos e mudanças climáticas.

CBF e clubes maltratam o próprio produto.

Um campeonato que não têm paralelo nas ligas nacionais em termos de equilíbrio e disputa. Mas que segue sendo tratado como torneio de várzea em termos de valorização e organização.

segunda-feira, maio 04, 2015

Vem aí o Brasileirão

Vem aí o Brasileirão.

Longo, complicado, equilibrado e cheio de armadilhas. Não vejo um grande favorito e parece que após muito tempo haverá mais times na disputa pelo título. Parece, porque isso costuma mudar e depende do desempenho dos times nacionais na Libertadores.


Antes de a bola rolar, citaria três times com um pouco mais de potencial: Corinthians, Atlético Mineiro e Internacional. 


O Corinthians largou bem, mostrou um padrão tático invejável, mas foi perdendo intensidade e levantou muitas dúvidas, principalmente quando não conta com Guerrero ou quando precisa mudar seu estilo de jogo, o que não conseguiu.

O Inter demorou para engrenar, mas cresceu na hora certa e fez um jogo no qual mostrou enorme potencial contra a Universidad de Chile.

O Galo é muito forte, intenso e decisivo.
No segundo pelotão temos vários times com potencial. O Cruzeiro muito mexido, mas com um treinador mestre em remontar equipes.


Santos e Palmeiras aproveitaram bem o estadual para armar seus times que são bons e competitivos. São Paulo, Flamengo, Fluminense, o renovado Vasco, o Grêmio remontado por Felipão com enorme dificuldade.

Todos têm condição de disputar um bom campeonato e, o principal, embolado.

Sem contar as surpresas e decepções.

Não há torneio nacional mais equilibrado que o Brasileirão.