quarta-feira, dezembro 12, 2007


VOVÔS BONS DE PALCO

ARRASARAM EM 2007

De vez em quando gosto de me arriscar em outros assuntos aqui no blog. Preferencialmente música, de vez em quando política. Música pelo fato de ser, pra mim, ao lado da literatura, a dupla de arte fundamental. O mundo poderia estar aí sem cinema, sem pintura, até sem teatro, mas sem livros para ler e sem músicas para ouvir, seria um saco.
Sou assumidamente um não-músico frustrado. Tentei tocar violão, fiz aulas e tudo, mas foi um desastre. Tenho um teclado Casio e até já arranhei algumas coisas. Consegui tirar de ouvido a introdução de Jump, do Van Halen, o solinho de In Too Deep, do Genesis, Hand in Hand, do Phil Collins, e uma pequena parte da abertura de Subdivisions, do Rush. Mas a coisa não anda, falta talento. Já me arrisquei como cantor amador nos festivais do Colégio Arquidiocesano (ganhamos duas vezes, com músicos bons de um grupo chamado Naphtalina, com Horácio, Richard, Calia, Pedrão; e com uma galera esperta no ano seguinte, da qual desponta hoje o excelente guitarrista Marcinho Eiras, irmão do Alemão, que você pode ver no Faustão) e uma aventura no Ginásio do Ibirapuera, pelo Fico, o Festival do Objetivo, embora eu nunca tenha estudado lá.
Pois basta de enrolar e vamos ao post. 2007 ficou marcado como o ano de grandes reuniões de grupos realmente importantes do pop-rock internacional. Genesis, Pink Floyd, The Police, Van Halen, Led Zeppelin, Eagles. Uma galera dos anos 60, 70 e 80 que ainda arrasta multidões a ginásios e estádios e hipnotiza com base em muito talento, profissionalismo e competência. Aliás, apenas duas coisas podem explicar por quê essas bandas, algumas que já curtiam a aposentadoria, tenham voltado e roubado a cena. A primeira já foi escrita, os caras são bons pacas. A segunda é que hoje em dia o cenário do pop-rock, a música do dia-a-dia, está muito, mas muito ruim.
Claro que existem coisas interessantes e legais, como o Coldplay, por exemplo. Mas em geral falta personalidade, falta talento, capacidade, competência ao vivo. Lembro-me que, nos anos 90, quando trabalhava na Gazeta Esportiva, sempre tínhamos contato com o pessoal da Folha, que era no mesmo prédio. Havia uma galera da Ilustrada que estava fazendo esporte. A moda era (tentar) levantar o Oasis, vender a banda inglesa como algo realmente bom e importante, já que eles eram muito mais que críticos, eram fãs. E tome capa disso, crítica daquilo, comparações absurdas para uma banda que, digamos, cumpre até hoje, direitinho, o papel de cover dos Beatles. Até que o Oasis veio ao Brasil, em 98, tocou em São Paulo e não conseguiu lotar o Sambódromo paulista, apesar dos esforços da turma da Ilustrada.
Nesta semana, o Led Zeppelin voltou a se reunir, depois da aventura de 1985, no Live Aid, com Phil Collins e Tony Thompson nas baterias. Collins, aliás, foi injustamente criticado por Jimmy Page à época. O baterista do Genesis tinha acabado de tocar com Robert Plant em disco e turnê e fora chamado por Plant para a reunião. Page não gostou muito e Thompson entrou numas de duelar e não compartilhar. O resultado dos bateras nem foi tão ruim quanto a pífia performance vocal de Plant e os muitos equívocos de um Page que parecia mamado.
Nesta nova reunião, no entanto, com Jason Bonham (filho de John, que aliás, ensinou o filho a tocar ao som de Turn It On Again, do Genesis, com o Phil Collins) tudo correu muito bem. Claro que Plant não alcança mais os agudos de outrora, mas valeu a espera, pelo que pude conferir no You Tube. Page estava em grande forma.
Enfim, hoje a música pop e o rock estão dominados por bandas de uma semana, superproduzidas em estúdio, que carecem de carisma e competência. Fui ver o Genesis em Chicago e, nos mesmos dias, tocava por lá o Maroon 5. A crítica fez a comparação e, óbvio, constatou que o Maroon jamais chegará a Genesis, embora hoje faça enorme sucesso. Mas com 40 anos de vida o Genesis levou mais de 3 milhões de pessoas a sua turnê de 2007, com pouco mais de 30 shows.
O Police arrebentou no Maracanã e numa grande turnê. Assim como o Van Halen. Idem para os veteranos ultracompetentes e briguentos do Eagles. Isso sem falar no ego infladíssimo do Roger Waters, que se reuniu aos inimigos de Pink Floyd. Tivemos um pouco antes o reencontro de Eric Clapton com os companheiros de Cream e atá a contribuição brasileira nisso tudo, com a volta dos Mutante. E, vá lá, até o Queen com o Paul Rodgers. São 30, 40 anos de história relembrados com absoluta competência e profissionalismo no palco. Será que daqui a 5 anos alguém ainda falará do Maroon 5? Ou então do Dream Theater, uma banda formada por ótimos músicos, mas chata pra caramba, sem alma, sem muito talento para compor?
Mas claro que nem tudo está perdido. Eu gosto muito do Foo Fighters. Acho que é a banda atual que tem mais talento e personalidade no rock. O Dave Grohl, que era o melhor músico do Nirvana, mostrou toda sua capacidade nos Foo Fighters, aliado ao excelente Taylor Hawkings na bateria. Fora isso, ainda bem que essa galera dos vovôs do rock ainda segura a onda do alto dos seus 50 e muitos ou 60 anos. Longa vida ao bom e velho pop-rock.

19 comentários:

Marcos disse...

Excelente post, Nori!
Principalmente por saber que você já tentou tocar Rush! hehe
Sobre o Dream Theater, vi um show deles no Aramaçan há quase 10 anos e acredito que falta carisma... Inclusive os maiores sucessos dos caras são os covers!
Abs, Marcos

Fernando disse...

Nori, vejo mais ou menos assim: não adianta esperarmos do rock de hoje o mesmo que acontecia nos anos 60 e 70. Gosto muito de Franz Ferdinand, Killers, Strokes, Foo Fighters, Radiohead e outros talvez por não nutrir grandes esperanças de que eles serão os Genesis, Police e Zep de hoje: são apenas boas bandas que fazem boas canções. É mais ou menos como no futebol: não vai aparecer um novo Pelé ou um novo Maradona, mas nem por isso deixamos de nos encantar com Ronaldinho, Messi, Kaká e por aí vai.
Se me permite a crítica/brincadeira, às vezes parece que você analisa música da mesma forma que o Calazans e o Renato M. Prado vêem o futebol.
Grande abraço.

Nori disse...

Ótima comparação, Fernando, sobre os comentários musicais e futebolísticos.rsrsr
Abs

Nori disse...

Valeu, Marcão!!!!

Xandy e Niana disse...

Otimo post, Nori. Para mim a grande banda atual que vem mandando bem desde os anos 90 e o Pearl Jam. Tenho curiosidade em saber o que vc acha deles.

Nori disse...

Xandy e niana, imperdoável da minha parte o esquecimento do Pearl Jam. Jeremy é um dos melhores rocks de todos os tempos.
Abs

Othon disse...

ja era seu fã por seus comentarios sobrios sobre futebol, virei mais fã ainda, com esse seu post, muito sobrio e perfeito no diz que respeito ao Foo Fighters, banda que que vi ao vivo em Miami.
Parabens Nori !

Othon disse...

esqueci de comentar sobre uma grande banda,dos anos 90,que hj nao existe mais, que sucumbiu ao meteorico sucesso do movimento grunge,Soundgarden,Chris Cornell ainda hj consegue levar o Audioslave nas costas...mas nada que se compare as grande bandas dos anos 60,70.

Joao Luis disse...

Fala, Nori!
Parabéns pelo post. Traduz tudo o que tenho comentado sobre música com colegas de trabalho. Hj em dia, tudo é muito comercial, parece que falta sentimento às composições, falta "conversar" com a guitarra para compor.
Curto demais Pearl Jam, Rush (como é fabuloso o baterista!), Pink Floyd, Rolling Stones - vi a Voddoo Lounge e que show o quarteto faz! Phil Collins fez um show formidável em Paris (tenho o DVD, vale a pena), Aerosmith nos tempos áureos de Dream On, David Coverdale. Mas confesso que bandas como Evanescence, hoje em dia, chamam minha atençao. Fora outros clássicos como Pet Shop Boys, New Order, Jamiroquai... tá bom, bola fora do Rock'n Roll, mas são sons que nao ficam de fora do iPod...
Grande abraço.
Joao Luis Amaral

Rafael disse...

Nori, permita-me discordar sobre o Dream Theater. Eles sempre foram uma banda mais underground que mainstream. Então nunca chegarão a um Led Zeppelin, além do fato de fazerem uma música pouco comercial. Há uns 2 anos lotaram o Credicard Hall por dois dias seguidos, com ingressos esgotados um mês antes. Isso com pouca divulgação. E já tem 20 anos de carreira, com 9 discos de estúdio gravados (fora os ao vivo), com um público fiel sem tocar em MTV, qualquer TV ou rádio. Aposto que eles estarão aí daqui 5 anos. Bem menores do que Led, Floyd e outros. Mas continuarão fortes. E os maiores sucessos deles NÃO são covers. Também discordo em relação à composição, acho que eles têm músicas fortíssimas, mas aí é questão de gosto. Abraço!

Ogata disse...

Grande Nori, tudo bem? O maior exemplo do que você escreveu são as rádios que tocam música: duvido que alguém com o mínimo de bom gosto musical consiga ficar mais de 5 minutos em uma única emissora. É uma música pioro do que a outra.

Abraços,
Ogata

Anônimo disse...

Noriega, concordo em partes com vc. Vamos às discordâncias primeiro. Genesis sim, Van Hallen também. Mas as outras bandas citadas nada têm de pop-rock. Apenas um detalhe técnico. E a outra discordância é, Van Hallen podia continuar quietinho, morto e enterrado. Talentosíssimo guitarrista. Mas que tem uma banda muito da chata. Mas, como costumo dizer, se existe vascaíno no mundo então é possível gostar de qualquer coisa.

Agora as concordâncias. Police e Led são simplesmente imortais. Assim como Guns e Nirvana também, só que de outra geração. A minha. :-) E colocaria aí também Pearl Jam que é uma excelente banda que mistura personalidade e muito talento.

Da nova geração eu diria que Linkin Park é uma banda bacana, tem potencial. Há que se considerar que se hoje não existem mais bandas com a densidade de uma Led Zeppelin é principalmente porque a juventude não está buscando música assim. Então pode ser que o imortal de amanhã seja bem diferente do imortal de hoje.

Valeu Nori!

Saudações Rubro-Negras,
Marcos Leal.

Alexandre Massi disse...

Noriega,

Me chamo Alexandre Massi e tenho um blog de esportes, o BLOG DO MASSI (www.blogdomassi.blogspot.com). Gostaria de realizar uma troca de links entre nossos blogs, assim como você tem com tantos outros blogs. Se tiver interesse, acesse meu blog ou envie um e-mail para alex_massi@hotmail.com

Abraços

Alexandre Massi

Nori disse...

Massi, tá linkado, com prazer.
Abs

Nori disse...

Amigo Marcos Leal, vc tem razão em seus argumentos. Mas permita-me discordar no caso do Van Halen, eu gosto muito, principalmente do 5150.
Abs

Nori disse...

Rafael, valeu pela visita. Vou tentar ouvir mais o Dream Theater e, quem sabe, mudo de opinião. É que apesar de a minha banda favorita ser o Genesis, não sou lá um grande fã de progressivo.
Abs

Rodrigo Borges disse...

Marcinho Eiras é bom de serviço pacas!

Anônimo disse...

ou noriega gosto muito dos seus comentarios sobre futebol e agora sabendo que vc gosta de musica fiquei mais sua fá beijos obrigado por me responder no orgut

Anônimo disse...

porra pq vc so fala de time paulista q saco isso fala tb do time de outros lugares pq no brasil se é q vc sabe existe outros times alem dos de são paulo cassete