terça-feira, fevereiro 28, 2012



O fator Abelão



É difícil não gostar do Abel Braga. Como gente e como treinador de futebol. Abelão é um cara franco, direto, emotivo. Durante a cobertura do SporTV no Mundial de Clubes de 2006, quando ele foi campeão com o Inter, tive a oportunidade de conhecer melhor o Abelão.

Não posso dizer que somos amigos, mas temos uma boa afinidade, respeito mútuo, na medida certa para não atrapalhar o profissionalismo de ambos.

Abelão gosta de bons vinhos, de bom garfo e toca um piano de altíssimo nível. Viveu em Paris, mas prefere o Porto, em Portugal, onde a família tem um restaurante. Adora um bom papo, contar histórias do passado de jogador e de falar sobre futebol sem invencionices.

Esse estilo direto, comprometido, faz dele um raro treinador que geralmente é bem recebido quando enfrenta clubes em que já trabalhou. É assim na Ponte Preta, onde Abel fazia compras de supermercado para os jogadores pagando do próprio bolso, em tempos de crise e salário atrasado. No Inter é quase um mito.

Agora tem tudo para montar um Fluminense capaz lutar por todos os títulos que disputar. Em quantidade de bons jogadores, não há elenco como o do Flu no Brasil. Talvez falte um pouco de equilíbrio, já que sobram atacantes e meias e faltam zagueiros, por exemplo. Mas dá para montar dois times competitivos sem sustos. Com isso, poupar o que tem de melhor para as partidas mais importantes, sem abrir mão de pontos em partidas menos decisivas.

Abelão me disse ontem, no Bem, Amigos, que os petrodólares dos Emirados Árabes Unidos continuam sondando sua área, com a proposta dos emires para que ele assuma a seleção do país. Mas também deixou claro que não deve aceitar, nem pensa nisso agora, pois está feliz no Flu e não pretende deixar de morar no Brasil. Além de acompanhar a evolução do futebol de seu filho, Fábio, volante em início de carreira nas Laranjeiras.

Os times do Abelão costumam ser competitivos, fortes, comprometidos. Ele vê o futebol de uma maneira simples, porém sempre muito bem informado sobre os adverários, estudioso. Jamais esquecerei do que vi em Yokohama em 2006, no último treino do Inter antes da final contra o Barcelona. A jogada do gol de Gabiru foi treinada à exaustão, assim como a recomposição do time para marcar bem o Barça e apostar na jogada do chutão para o Fernandão desviar. Assim foi feito, com base em trabalho e na inevitável dose de sorte.

Com o belo elenco, grandes jogadores em grande fase a a energia do Abelão no banco, o Flu vai forte para enfrentar o Boca na Bombonera e quem mais vier pela frente. 

3 comentários:

Wilson Hebert disse...

Abel pianista. Muito interessante. Eu jamais imaginaria uma situação como essa...

E eu também sou fã do Abel. Num mundo como o do futebol, onde a verdade está cada vez mais rara, ver as entrevistas do Abel sempre me faz bem.

Abraço, Nori!

Fred bastosfred@hotmail.com disse...

Noriega, com tantos jogadores bons o Abel nao poderia ousar um pouco mais e colocar Wagner, Deco e Thiago Neves juntos. O primeiro mais recuado, como segundo volante. Melhorando a qualidade do toque de bola, já que Diguinho nao é dos melhores. Se no for possivel, por talvez deixar o time aberto, ao menos, trocar Diguinho pelo Jean.
Com certeza separando a equipe nesses dois grupos, o que joga hoje contra o Resende e o campeao da taca guanabara tem duas equipes bem competitivas, mas será que é o melhor para o time?
Comecei pelo meio pois é a parte que vejo mais comentarios. Mas falemos da equipe toda. No gol Cavalieri está recuperando seus melhores dias, sua manutencao na equipe está trazendo alguma confianca, tendo que melhor algo falho nos goleiros do Fluminense que é a saída em bolas cruzadas na area. Nas laterias,Bruno vem se soltando e se adaptando ao time, comeca a mostrar o futebol que o fez se destacar no figueirense. Carlinhos, já está a um tempo e nao apresenta uma regularidade. Na defesa todos passam por ele. No ataque, em alguns jogos se sobre sai, mas muitas vezes nao aprofunda o jogo. Sem falar nos momentos que se esconde e tem medo de jogar. Acredito que Carleto merece uma chance no time titular pelo que vem demostrando até agora.
A dupla de zaga, parte mais contestada do time nao consigo pensar em nenhuma solucao. Só testes poderiam dizer se recuar o edinho para posicao seria realmente bom para o time. O furo de Anderson na final é algo inaceitavel. Mas de um modo em geral, quando o time está bem do meio pra frente zaga se apresenta consistente.
Caso se recue o Edinho, ou o Valencia (que em outros momentos já achei com violencia em excesso, mas nessa final jogou muita bola, Melhor até que o Edinho). Se recue também o Jean a primeiro volante, tendo a possibilidade de jogar com Wagner de segundo volante. Podendo dessa forma o time ficar muito exposto se a marcacao nao for coletiva. Mas recuando apenas um deles(Edinho ou Valencia) o outro pode jogar na posicao original. Mantendo Jean ou Wagner. Diguinho é banco já. Do ataque para frente nao tenho muitos comentarios. Deco está voando novamente e conduzindo o time muito bem. Como torcedor gosto de ver o time indo pra frente e trocando bem a bola. Thiago Neves perdeu alguns gols no classico que geralmente nao perde, mas vem demostrando muita vontade. Welligton Nem realemente é um destaque, uma surpresa, resta saber se consiguirá mante a regularidade. E o Fred é matador. Ainda tem opcoes caso esses ultimos estejam mal, Araujo, Sobis e Heman, podendo ter a volta ainda de Martinuccio, que nesse time provavelmente voltaria apresentar o futebol da Libertadores passada. Sem falar nos outros jogadores de qualidade no time como Lanzini. Nao tem como todos jogarem.
Claro que falo como um torcedor, nao sei se essas alteracoes sao possiveis, o time pode melhorar com a bola mas ficar demasiadamente aberto sem ela. Só testes responderiam a essa questao. Já que conhece o Abel, encaminhe minhas observacoes para ele. E comente voce também, gostaria saber se isso é uma viagem muito distante ou se há possibilidades.
Poderia Abel ser mais ousado?

Anônimo disse...

Oi, Nori!

Abel é a média ponderada entre Mano Menezes e Murici Ramalho. Ponderada, porque não há sujeito mais ponderado que Abel Braga.

Ninguém nunca fez campanha por Abel para técnico da seleção.
Talvez Abel não seja politiqueiro; mas o Felipão também não era.

Se compararmos Abel Braga e Mano Menezes (o técnico da seleção): temos um campeão da Sul-americana, da Libertadores e do Mundial FIFA; o outro, campeão da Copa do Brasil e bi-campeão da série B.