quarta-feira, maio 16, 2012



Brasileiro, o Nacional mais

equilibrado do mundo, certo?


Esta é a tese que defendo hoje aqui no blog. Começa sábado o campeonato nacional de clubes mais equilibrado do futebol mundial. O nosso Brasileirão. Não vejo em qualquer outra grande nação do futebol uma competição que tenha dez, às vezes doze candidatos ao título.

Pode-se argumentar que, tecnicamente, o Brasileirão deixa a desejar. Afinal, o futebol brasileiro hoje está mal tecnicamente, não é mais o melhor do mundo. Então seu principal torneio não pode refletir outra coisa que não seja esse momento técnico.

O que não significa falta de equilíbrio.

Existem muitos fatores que me fazem colocar o Brasileiro como o mais difícil torneio nacional de clubes. Trata-se de uma competição longa, disputada com variações de temperatura e distâncias às quais outras equipes de ligas importantes não estão submetidas. Um time joga quarta em Porto Alegre e quinta em Recife. Sai de 7 graus para 32. Viagens, aeroportos, deslocamentos, rivalidades regionais. Nesse ponto nossa privilegiada geografia e nossa desastrosa infra-estrutura ajudam a equilibrar as coisas.

Muitas vezes, em torneios europeus, as equipes viajam de trem e resolvem tudo em 45 minutos, sem aeroportos e filas intermináveis, atrasos e cancelamentos.

Mas a questão principal é que o Brasil, felizmente, tem uma quantidade inigualável de grandes times, de equipes tradicionais, de camisa, peso. Tratando-se apenas da Série A de 2012, para ficar nos mais fortes economicamente, temos os quatro paulistas, os quatro cariocas, os dois gaúchos e os dois mineiros. Só aí são 12 candidatos. Some-se a esses o Coritiba, o Bahia, Náutico, Sport, e forças emergentes como o Figueirense, e  tem-se um mosaico inigualável.

Há o grupo dos times de penetração nacional, as grandes forças populares regionais e equipes com perfis distintos como Ponte, Portuguesa e Atlético Goianiense.

Os números comprovam esse equilíbrio se analisarmos o Brasileiro em comparação com outras grandes ligas nacionais, usando como parâmetro as últimas dez edições de cada campeonato.

No Brasil, seis times foram campeões nas últimas dez edições. Na Alemanha, cinco. Na Inglaterra foram quatro. Na Itália, três. Na Espanha, três. Para citar um país vizinho, temos o caso da Argentina, que é um pouco distinto, por apontar dois campeões por temporada. Nas últimos dez torneios foram oito campeões diferentes.

Claro que a pergunta repetitiva feita pela maioria dos torcedores para quem trabalha comentando futebol é a de sempre: quais são os favoritos, quem você acha que vai ganhar, quem vai cair? Como se alguém tivesse bola de cristal. Na maioria das vezes quem faz essa pergunta quer usar uma eventual resposta para falar mal, acusar de bairrista etc.

Favoritismo é um conceito vago. Depende de muitos fatores. Há equipes que teoricamente são mais fortes que outras no papel. Como, por exemplo, os quatro brasileiros que seguem vivos na Libertadores. Obviamente que são candidatos ao título nacional quando se faz uma radiografia do momento, antes de o Brasileiro começar. Porque foram bem na temporada passada, mantiveram base e continuam com boa performance.

Mas ninguém sabe como será o início de Brasileiro deles. Quem seguir na Libertadores deixará o Nacional de lado por um tempo, o que impacta no rendimento. Quem for eliminado precocemente pode passar por mudanças de elenco ou direção.

O mesmo vale para as equipes que seguem na Copa do Brasil. Com disputas simultâneas, é difícil ter todos os 20 times com capacidade máxima no Brasileiro. Em 2011 o Corinthians tirou proveito disso e disparou no início, o que foi determinante para a conquista. O Santos deixou pontos preciosos pelo caminho quando priorizou a Libertadores e depois não conseguiu recuperar.

Assim foi com Vasco e Coritiba quando decidiram a Copa do Brasil.

Time por time, dentro de um cenário de equilíbrio, há um que se destaca: o Santos. Porque tem o melhor jogador, Neymar, o segundo melhor jogador, Ganso, e o melhor treinador, Muricy. Mas caso siga adiante na Libertadores não terá força máxima no Brasileiro por um bom tempo. Assim como não terá Neymar e Ganso durante a Olimpíada. O que significa perda do diferencial.

O Corinthians é um time equilibrado, sem um grande craque, mas o que acontecerá em caso de sequência na Libertadores? Time alternativo no Brasileiro. Em caso de eliminação ante o Vasco? Haverá saídas de jogadores, chegadas de outros etc. Para Vasco e Corinthians. Isso vale para todos os times. Cito apenas os três que foram campeões dos principais torneios da temporada passada como exemplos.

Não faço parte do time de analistas que gostam de chegar no final do ano se gabando de que acertaram os chutes no começo. Porque afirmar em maio que alguém será campeão em dezembro não passa disso: chute, aposta.

O que imagino do torneio deste ano é um grau de dificuldade ainda maior do que o de 2011. Haverá dois times de Recife, com torcidas fanáticas e pressão enorme nos estádios. O que implica em mais viagens e deslocamentos para os times do Sul e do Sudeste, além dos enormes deslocamentos a que já são submetidos os pernambucanos e o Bahia.

Cruzeiro e Atlético jogarão novamente em Belo Horizonte, o que dá outro peso a essas equipes, inclusive financeiramente.

Isso sem falar na mazelas do nosso futebol. De alguns gramados impraticáveis e ainda assim aprovados. Do amadorismo dos dirigentes, da dança dos treinadores, das crises, dos erros de arbitragem, da janela que serve de saída e de entrada.

Enfim, será um grande Brasileiro.

No campo pessoal, marcará minha décima temporada como comentarista do SporTV. Minha estreia foi em 11 de agosto de 2002, em Araras, num empate sem gols entre União São João de Araras e Caxias. Narração de Eduardo Moreno.

Espero, assim como toda a equipe do SporTV, contar com a honra da audiência de todos para mais uma edição desse torneio maravilhoso.

7 comentários:

ale fiaes disse...

o santos é um dos favoritos,mas vai ficar mas da metade do campeonato sem seus principais jogadores,ganso e neymar,falam que é choradeira,mas eles fazem a diferença,e é duro perde-los por tanto tempo.queria só ver se corinthians ficasse tanto tempo sem ralf e paulinho como seria queria só ver se eles não iam reclamar,mas isso não vai acontecer eles nunca sõ convocados,o corinthians é protegido.....

Caio Cidrini disse...

É exatamente esse o ponto. Se não é melhor tecnicamente, é o mais equilibrado. Nós temos a riqueza de contar com todos esses times. A princípio são os 12 grandes. Mas sempre temos boas equipes, que contam com a tradição e o peso regional. Graças a Deus somos brasileiros.

@RodrigoFulco disse...

Certo! Apesar do equilíbrio da Premier League 11/12 ter sido impressionante. Acho que teremos um grande Brasileirão. Vejo o Santos, Corinthians e Fluminense iniciando o certame com elencos fortes, candidatos ao título. Ainda na briga, mas com um pouco menos de força, chegam Inter, Vasco e São Paulo. Das grandes forças que estão em baixa, a que pode surpreender a depender da recuperação de seus principais jogadores, é o Grêmio. Flamengo, Palmeiras, Botafogo, Cruzeiro e Atlético-MG tem bons times, cada um com problemas diferentes, brigam por libertadores, pelo título não creio. Nem acredito que um desses brigue contra o rebaixamento. Daí pra baixo, tudo pode acontecer. inclusive com o meu Náutico, que após um início péssimo início de ano, vem se reforçando e vai brigar de igual pra igual com Coritiba, Bahia, Atlético-GO, Ponte Preta, Sport, Figueirense e Portuguesa. O único desse bloco que pode se destacar por causa da manutenção de grande parte do elenco e de seu treinador, é o Coritiba. Meu palpite é de um grande Brasileirão 2012.

Nilton Neto disse...

Olá, Nori.
Tenho pra mim um pensamento bem particular sobre o Campeonato Brasileiro.
Concordo com você que o campeonato é bem equilibrado e isso o torna atrativo.
Porém, o preocupante, pelo menos pra mim, é o nível geral dos times.
Não se vê mais o tipo de futebol que nos consagrou mundialmente como o país do futebol bonito. Assisti ao jogo do Inter-RS contra o Fluminense e me senti angustiado.
Me parecia mais um VT de um jogo qualquer do Campeonato Italiano ou Inglês nos anos 1980 do que um jogo entre dois times daqui.
Todos nós, torcedores, jogadores, técnicos, imprensa, devemos nos empenhar para mudarmos nosso atual momento. Mudança essa que nada mais é uma volta. Meia-volta. Um retorno à origem.

Nilton Neto disse...

Olá, Nori.
Tenho pra mim um pensamento bem particular sobre o Campeonato Brasileiro.
Concordo com você que o campeonato é bem equilibrado e isso o torna atrativo.
Porém, o preocupante, pelo menos pra mim, é o nível geral dos times.
Não se vê mais o tipo de futebol que nos consagrou mundialmente como o país do futebol bonito. Assisti ao jogo do Inter-RS contra o Fluminense e me senti angustiado.
Me parecia mais um VT de um jogo qualquer do Campeonato Italiano ou Inglês nos anos 1980 do que um jogo entre dois times daqui.
Todos nós, torcedores, jogadores, técnicos, imprensa, devemos nos empenhar para mudarmos nosso atual momento. Mudança essa que nada mais é uma volta. Meia-volta. Um retorno à origem.

Robert Alvarez Fernández disse...

Nori, concordo contigo, se me permite, fiz uma análise que mostra essa competitivdade em números, que são a minha praia. Pegue o aproveitamento dos campeões últimos de várias lgas e tire 35%,o que aconteceria com ele? No espanhol terminaria em 3.o; no inglês em 10.o; no alemão em 8.o. No Brasileirão, terminaria em último.

Em ligas esportivas que privilegiam o equilíbrio, como nos Estados Unidos, o pior colocado na NHL teve aproveitamento 28% menor que o 1.o, que já caiu nos play offs.

Valorizemos o Campeonato Brasileiro, ele é dos mais imprevisíveis dos campeonatos importantes.

Ao mesmo tempo, pensemos em formas de equilibrar ainda mais e melhorar a vida do torcedor, pois mesmo os mais previsíveis, tem muito mais público que o nosso.

Abraços,

Robert

Carlos Eduardo Gatto Sâmia disse...

Noriega! Já venho pedindo há algum tempo..
Entre no meu blog e comente, por favor! Qualquer tópico!
Ficarei muito feliz. Mesmo. Sou seu fã!

http://jogadademestres.blogspot.com.br/

Abraço