quinta-feira, janeiro 05, 2012



Marcão eterno


Poucos são os jogadores de futebol no Brasil que conseguem pairar acima da rivalidade às vezes insana que separa os grandes clubes. Mais que poucos, são raros. A essa estirpe une-se agora, na anunciada aposentadoria, o goleiro Marcos, para sempre do Palmeiras.

Existem ídolos que fazem média com os próprios torcedores, talvez sem saber que nem disso precisam. Mas insistem em fazê-lo, pensando nos juros e dividendos dessa atitude.

Marcos é um ídolo especial, e transcende a grandeza dos milhões de torcedores que o santificaram porque nunca fez média com nada e com ninguém. É o que é, na alegria e na tristeza.

Em minha carreira de jornalista tive o prazer de dividir as famosas resenhas com o Marcão em várias oportunidades. Em aviões, hotéis, estúdios de TV, após treinamentos e jogos. Assim como tive a honra de entrevistá-lo e certificar-me que não havia personagem que entrasse em cena com as luzes da TV ou os microfones. Era o mesmo cara em on e em off.

Fui espectador privilegiado de algumas das maiores atuações já protagonizadas por um goleiro. No período de 1998 a 2002 Marcos foi soberbo. Muitas vezes beirou o sobrenatural. Foi decisivo em diversas conquistas do Palmeiras e fundamental na Copa do Mundo de 2002, com atuações irretocáveis contra a Bélgica e na final, diante dos alemães.

Sua liderança emanava da maneira mais natural, a carismática. Marcos é daqueles líderes que são eleitos pelo grupo, não dos que se impõem.

Ao não abandonar seu clube quando houve o rebaixamento, mostrou, sem gestos encenados e ensaiados, que era mais que um atleta profissional exemplar, mas um símbolo.

O futebol precisa urgentemente de jogadores desse tipo. O esporte precisa, porque pela repercussão que gera e palas emoções que proporciona, não pode ficar refém de um certo tipo de ídolo que atua diante das câmeras.

Mais que as defesas inesquecíveis, os títulos incontáveis e as risadas que proporcionou, Marcos deixa como legado algo cujas jazidas estão se esgotando: a autenticidade.

Bom descanso e sucesso na nova vida, Marcão! Você é eterno.

7 comentários:

Giovanni Zaffani disse...

Belo texto Nori! Ainda estou digerindo a notícia. O futebol ficou mais triste de repente.

Ian D. disse...

Marcos é um jogador que qualquer torcedor gostaria de ver no seu time. Como citado, está acima de qualquer rivalidade. Tanto que eu, santista fanático, sempre fui e sempre terei Marcos com um ídolo. E não sou só eu. Vejo que pelo menos nos fóruns santistas de internet, todos veneram esse goleiro. Obrigado por td o que vc fez ao futebol brasileiro, Marcão! Eu nunca esquecerei daquelas manhãs de 2002 em q eu acordava e via o penta campeonato sempre mais perto após cada milagre que vc operava!

RJ Esportes disse...

Não apenas nos aspectos técnicos e táticos, o futebol brasileiro anda distante do europeu de primeira linha. Pesa, também, a questão do comprometimento.


No Velho Continente, há, ainda, a Juventus, de Del Piero.


O Liverpool, de Steven Gerrard.


O Milan, de Nesta.


O Bayern, de Lahm.


O Manchester United, de Rooney e Giggs.


O Barcelona, de Messi, Xavi e Iniesta, que, breve, segundo seu próprio treinador, será formado apenas por craques originados de suas canteras.


Mais que jogadores ou craques, símbolos, que resistem à artificialização do futebol, promovida pelo dinheiro russo, árabe ou americano, e à farra dos empresários, forças, por vezes do mal, que teimam em governar o esporte mais popular do mundo.


Por aqui, esse exército de opositores, um dia, foi numeroso.


Era composto pelo Flamengo, de Zico.


Pelo Atlético-MG, de Reinaldo.


Pelo Corinthians, de Sócrates.


Pelo Vasco, de Roberto Dinamite.


Bem lá atrás, pelo Botafogo, de Garrincha, pelo Santos de Pelé, menções obrigatórias em listas dessa natureza, não importa a época.


Feito escrevi por ocasião da despedida de Ronaldo, o "Fenômeno", dos gramados, não cabe discutir a decisão de "São" Marcos.


Feito escrevi em uma das ocasiões em que o palmeirense ameaçou deixar a carreira, é simples definí-lo: Marcos é craque, é ídolo, é "santo". Não preciso nada além disso.


Feito escrevo agora, é de se lamentar o dia de hoje. Não pela decisão. Que não cabe contestação. Sim, pelo seu significado das entrelinhas.


Depois de perder seu toque de bola. Sua arte. Sua classe. Sua Ginga. O futebol brasileiro perde um marco. O penúltimo dos marcos. Perde "São" Marcos. E continua rumo à linha de chegada da decadência. Linha essa, que, por sua grandiosidade histórica, nunca deveria cruzar.


Abraço!

Anônimo disse...

É verdade Nori, o Marcão é um jogador que transcende a rivalidade de qualquer torcida. Parece aquele primo querido do interior que todo mundo gosta.
Foi um Profissional em campo e um amador sem máscaras em frente as câmeras.
Esse sim eu gostaria de ouvir comentando jogos numa mesa redonda.

Hugo disse...

O Marcão é um cara simpatico e penso que são poucas as pessoas que não tem empatia por ele justamente por ser educado, humilde, trabalhador, comprometido e servir de bom exemplo aos atletas mais novos de todos os clubes.
Desejo um bom futuro ao Marcão na próxima empreitada.

Mauro Meireles disse...

Belo texto... Definiu bem porque o Marcos é um ícone para todas as torcidas... Não foi tão somente pelas belas partidas, pois todo goleiro tem seus momentos ruins... e por isso o Marcos é diferente... Ele assumia que nesses momentos não havia desculpas a dar por isso ou por aquilo... Ele era autêntico, autocrítico e divertido até quando falava sobre estes seus momentos ruins... A humildade, simplicidade e o caráter do Marcão foi e será ímpar no futebol... E é por isso que toda postagem, todo comentário e toda notícia hoje, é parabenizando o homem Marcos... E isso quem está escrevendo é um simples corintiano.

Anônimo disse...

Um bom goleiro que venceu poucos títulos como titular. Enzo martinelli