terça-feira, abril 05, 2011


Vitamina verde


Semana passada Felipão esteve no Arena Sportv. Antes que soem as cornetas do apocalipse, o técnico do Palmeiras disse concordar com a afirmação de que no início da temporada seu time era, dos quatro grandes, o que menos empolgava o torcedor. Palavra de Felipão.

Três meses se passaram e a situação mudou radicalmente. Graças ao trabalho da comissão técnica, ao esforço e dedicação dos jogadores e ao talento de Kleber (com alguma colaboração de Valdivia nas poucas vezes em que esteve em campo), o Verdão mudou a ordem das coisas e pinta hoje como o principal time do Campeonato Paulista.

Entre os quatro grandes rivais do Estado, o Palmeiras foi o que mais evoluiu até aqui na temporada, o que mais melhorou seu rendimento. Mesmo sem contar com o elenco mais completo.

Kleber não deixa de ter alguma razão quando reclama do fato de o Palmeiras não estar sendo tão badalado pela mídia quanto Santos, São Paulo e Corinthians. Afinal, o Verdão faz mais com menos. A bela vitória sobre os santistas, anteontem, na Vila Belmiro, deve mudar um pouco desse conceito.

Aliás, conceito é o que explica a evolução do clube alviverde. O time terminou o ano passado emocionalmente em frangalhos, espalhando interrogações depois do vexame diante do Goiás, na Copa Sul-Americana. Já em 2011, se transformou numa equipe difícil de ser batida, compacta e confiante.

Não há fórmula mágica. Todo treinador sabe que, para voltar a ganhar ,um time precisa, primeiro, parar de perder. Felipão fez isso no Palmeiras. Melhorou a recomposição defensiva e a cobertura do meio-campo, então os pontos vulneráveis da equipe. Também controlou as intermináveis crises internas provocadas por uma tensão política perene.

Mudança radical/ Fora isso, o elenco melhorou. Chegou Cicinho, lateral-direito melhor do que o da última temporada. Márcio Araújo pôde jogar na dele, como volante. A dupla de zaga ganhou consistência com Thiago Heleno. Kleber voltou a jogar o que sabe, Valdivia atuou pouco, mas bem. A confiança está estampada no rosto do time.

Como os três grandes rivais têm mais elenco mas não mostram melhor futebol, o Verdão foi comendo pelas beiradas e chegou para brigar pelo título.

Gladiador mais solto
Para que Kleber possa atuar solto pelos lados do campo, o empresário do atacante se empenhou pessoalmente na negociação para trazer Wellington Paulista ao Palmeiras. Pepe Dioguardi acertou tudo entre Verdão e Cruzeiro e esteve em Belo Horizonte no intuito de ajudar o Verdão a fechar o salário do centroavante da Raposa.

Tropa de elite caipira
Três das maiores potências do futebol do interior paulista arrancaram forte na reta de chegada da Série A-2. Guarani, Comercial e XV de Piracicaba têm tudo para subir e deixar a elite estadual muito mais interessante no próximo ano. Com todo o respeito a Rio Preto, Monte Azul, São José, Catanduvense e Atlético Sorocaba.

Em busca do equilíbrio
As variações de desempenho do menino Lucas, do São Paulo, são naturais nessa etapa de sua vida. Ele foi anulado pela zaga do Santa Cruz e marcou um gol de cinema contra o Mirassol. Faz parte do jogo. Interessa é que o garoto projeta um talento de alto quilate quando começar a encontrar o equilíbrio de seu jogo.

Nó tático
Lamentáveis as manifestações de torcedores do Santos contra Ganso e Neymar. Além de exageradas, vieram na hora errada, quando o time mais precisa do apoio de sua gente para o jogo decisivo desta quarta-feira, diante do Colo Colo.

Ninguém é mercenário apenas por querer melhorar sua condição profissional e financeira, e negociar isso. Além do mais, nunca vi a dupla tirar o pé de uma dividida. E olha que eles apanham tanto quanto o Kleber, do Palmeiras.

Acontece que não se pode avaliar o time do Santos tendo Neymar e Ganso como parâmetros. Os dois são foras-de-série. Elano é muito bom, e os demais jogadores estão ali, no nível médio do futebol brasileiro. 

Não se faz um esquadrão com apenas dois jogadores. Mas é possível montar um time muito bom com Arouca e Jonathan de volta. O que falta ao Peixe versão 2011 é consistência. Para ser um time de vocação ofensiva, como era o de 2010, é preciso um pouco de marcação, principalmente na saída de bola do rival. Isso o Santos não faz atualmente. Apenas como exemplo: nem Zé Eduardo e muito menos Keirrison fazem o que André fazia. Não me refiro apenas a gols, mas a participação.

Também é preciso que a defesa seja protegida, porque o Santos joga e deixa jogar. Nessa proposta, alguém tem de fazer o serviço sujo. Hoje, ninguém faz. 

Com ajustes e paciência da torcida, o Santos reencontrará seu caminho.

6 comentários:

Anônimo disse...

Caro Nori,

Realmente o Felipão deu um jeito neste modesto elenco palmeirense. Assim como o Luxemburgo nos áureos tempos, encontrou/adaptou os jogadores certos para as posições carentes. Para aqueles que duvidavam da sua capacidade, mostra que ainda é um dos melhores técnicos do país. A única coisa chata e que nada acrescenta a essa bela campanha, são as constantes reclamações contra a imprensa. Começou com a proibição dos atletas em conceder entrevistas após os jogos. Sinceramente os palmeirenses sofrem da sindrome de "falta de carinho". Não sou jornalista, mas a maioria são profissionais acima de qualquer suspeita, que comentem e narram jogos com extrema imparcialidade. Óbvio que tem um ou outra mala que destoa, e quando abre boca não atinge apenas ao Palmeiras, mas sim todos os outros clubes. O Palmeiras faz uma campanha incrivel e a hora é de brindar a esse sucesso, e não girar a metralhadora contra tudo e contra todos.

Saudações Tricolores

André Antunes

@pedrosouza28 disse...

Nori, parabéns pelos comentários sempre comedidos, imParciais e precisos. Sem duvida o melhor comentarista esportivo do pais. Estudo jornalismo e tenho vc comoum grande exemplo a ser seguido abs

Anônimo disse...

Caro Noriega, assistindo ao "Arena" outro dia, ví quando você falou sobre o Estádio Frasqueirão, do ABC de Natal (foi no dia seguinte ao jogo do ABC contra o Vasco, pela Copa do Barsil). Então, noutro comentário a seguir, conto para você o verdadeiro motivo de o Estádio ter tal apelido, motivo diferente do que você comentou no programa. Se seu conhecesse seu e-mail, enviaria através dele.
Abraços /// Fábio de Brito Guerra - Natal/RN.

Anônimo disse...

Por Fábio de Brito Guerra - Natal/RN:
EXPLICAÇÃO DO TERMO "FRASQUEIRÃO"
O apelido do nosso estádio (Frasqueirão) é uma homenagem à toda a imensa e gloriosa torcida alvinegra potiguar, conhecida como "frasqueira", por ser constituída principalmente pelo povão. Isso é um detalhe histórico, porque, aí por volta dos anos 50, na elite
natalense (os "ricos"), predominava a preferência clubística pelo nosso
arqui-rival (América), enquanto o ABC era o preferido das classes mais humildes. Então a própria torcida "vermelha" (do Mequinha) nos chamava, de modo pejorativo, de "frasqueira" (no sentido de escória). Mas o apelido foi sendo adotado carinhosamente pelos abcdistas, tanto que, quando foi construído um novo lance de arquibancada no antigo estádio da
Federação Norteriograndense de Futebol (Juvenal Lamartine), na 2ª metade dos anos 60, e alí se concentrava o grosso da torcida do Mais Querido, aquela parte do estádio foi logo nomeada como Frasqueirão. A partir de 1972, com a inauguração do Estádio Humberto Castelo Branco, o Castelão (hoje com o nome modificado para Estádio João Machado, o Machadão), a parte deste estádio que ocupamos também ganhou a alcunha de Frasqueirão. E
com a construção, em 2005, do nosso templo (cujo nome oficial é
Estádio Maria Lamas Farache), a sabedoria popular logo o batizou - de forma justíssima - como Frasqueirão. Hoje em dia, a torcida do ABC é predominante em todas as classes sociais do Rio Grande do Norte, mas o apelido de Frasqueira, antes pejorarivo e agora carinhoso, ficou para sempre.

Marcelo disse...

Parabéns Noriega. Não porque escreveu algo de positivo sobre o Palmeiras mas porque pontuou fatos importantes que contribuíram para a evolução da equipe no momento. A realidade atual apenas. Não é necessário para isso se falar de dívidas, salários atrasados, construção de estádio, intrigas políticas. A realidade é simples. Ao André Antunes, o que os palmeirenses querem da imprensa não é o “carinho”, não é o elogio, o que o Kleber reclama não é simplesmente a badalação, afinal os problemas no Palmeiras ainda são enormes. Se perder o próximo jogo o inferno voltará a ser verde. A questão é que veículos de comunicação importantes (não estamos falando de jornalecos futebolísticos) publicam sistematicamente os problemas financeiros do clube, detalhes dos bastidores passados com fins meramente políticos. Um exemplo é um colunista que publica até cópia do orçamento, conversas telefônicas, e não publica uma nota sequer sobre uma reunião entre o jogador Maikon Leite e a diretoria do Palmeiras para aumentar a multa da rescisão do pré-contrato, o que praticamente consolida o acordo. Algo positivo naquele momento. A proibição das estrevistas dos jogadores não foi o começo, foi conseqüência. No clássico na Vila um repórter já estava encontrando insatisfação do Lincoln com a substituição por não ir direto ao banco de reservas. O repórter que é muito bem pago pelo seu serviço (tanto quanto o Felipão merece pelo que faz) não viu que o juiz obrigou o Lincoln a sair do outro lado e ele teve que dar a volta no campo para poder sentar.

Sérvio Túlio disse...

Caro Noriega, sou seu admirador, entendo que você comenta com imparcialidade, demonstra de forma fácil aquilo que vemos.
O Palmeiras tem dificuldades de elenco, mas todos os times do Brasil também a possuem. Alguns possuem grandes jogadores, entretanto, em várias posições são carentes, assim como o Palmeiras.
Não somos badalados, muitos times são sem razão, como o Corinthians, Flamengo, Grêmio e outros.

Parabens pela forma de fazer jornalismo, sempre gosto de assistir jogos do verdão quando comentados por você, quando são outros jornalistas, retiro o som.
Um abraço e fique com Deus!